Mercedes-Benz aposta no Axor para reagir no mercado de pesados

Com novas versões, suspensão pneumática e foco em custo operacional, a Mercedes-Benz quer que o Axor aumente participação no segmento mais competitivo do mercado de caminhões

Aline Feltrin

A Mercedes-Benz do Brasil acelera a estratégia para reposicionar o Mercedes-Benz Axor no mercado brasileiro de extrapesados com a ampliação do portfólio e a introdução de novas tecnologias, em uma ofensiva para ganhar competitividade em um dos segmentos mais exigentes do transporte rodoviário. Com mais de 1.500 unidades vendidas desde o relançamento, em julho de 2025, o modelo entra em uma nova fase focada em escala, versatilidade e eficiência operacional.

A ofensiva mais recente inclui a chegada de novas configurações e a introdução da suspensão pneumática, movimento que amplia o leque de aplicações e reforça o posicionamento do Axor como uma solução equilibrada entre custo de aquisição e eficiência operacional. Com preço público sugerido a partir de cerca de R$ 700 mil, o modelo mira clientes que buscam previsibilidade de custos sem migrar para caminhões de maior complexidade e investimento.

Em entrevista à Agência Transporte Moderno, o gerente de Marketing de Produto Caminhões da Mercedes-Benz do Brasil, Edgar Bertini Ruas, afirma que a ampliação para cinco versões marca um passo estratégico. “Passamos a cobrir um espectro muito mais amplo de aplicações, permitindo que o cliente escolha exatamente a configuração mais adequada à sua operação”, diz.

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Versatilidade e eficiência no centro da estratégia

A nova linha inclui cavalos mecânicos 4×2 e 6×2, além da versão plataforma, atendendo desde operações tradicionais, como grãos e carga seca, até segmentos mais exigentes, como bebidas, eletroeletrônicos e combustíveis. O modelo mantém o trem de força consagrado da marca, com foco em robustez, padronização de componentes e redução de custos de manutenção.

A introdução da suspensão pneumática reforça esse direcionamento. Desenvolvida para as condições brasileiras e validada em mais de um milhão de quilômetros, a solução reduz o peso do conjunto, melhora a preservação da carga e aumenta a produtividade em operações com maior frequência de acoplamentos.

“O ganho é direto em rentabilidade”, afirma Ruas. “Há redução de custos recorrentes e melhora na eficiência da operação, além de mais conforto e estabilidade para o motorista.”

Segundo o executivo, o desempenho comercial inicial do modelo reflete uma mudança estrutural no transporte rodoviário brasileiro. O avanço do comércio eletrônico, a maior participação de cargas sensíveis e a crescente profissionalização da gestão de frotas vêm impulsionando a demanda por veículos mais versáteis.

“As empresas buscam soluções que combinem robustez, confiabilidade e eficiência operacional, sem necessariamente migrar para produtos mais caros e complexos”, explica.

Nesse cenário, o Axor passa a ocupar um espaço estratégico entre caminhões premium e opções de menor valor agregado. A proposta é entregar um equilíbrio entre investimento inicial e custo total de operação (TCO), reforçado por um ecossistema que inclui conectividade, telemetria, ampla rede de concessionárias e soluções financeiras.

Ainda longe da liderança

Apesar dos avanços, os dados mais recentes da Fenabrave mostram que o desafio competitivo ainda é relevante. No acumulado de janeiro e fevereiro de 2026, o segmento segue liderado por modelos como o Volvo FH 540, com 578 unidades, seguido pelo DAF XF 530, com 478, e pelo Volvo FH 460, com 430. O Axor, com destaque para o Mercedes-Benz Axor 2545, soma 190 unidades no período e aparece na 10ª posição, indicando que, embora tenha voltado ao jogo, ainda busca maior escala para disputar as primeiras colocações.

A estratégia da Mercedes-Benz, portanto, não passa por uma disputa direta no topo, mas pela construção gradual de participação em um nicho cada vez mais relevante. Em um mercado pressionado por eficiência e controle de custos, o Axor tenta transformar versatilidade em vantagem competitiva — e, aos poucos, recuperar protagonismo no transporte rodoviário brasileiro.

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