A dragagem de manutenção do canal de acesso ao Porto de Itajaí (SC) foi retomada no último sábado (4), com contrato de R$ 63,8 milhões e prazo inicial de 12 meses, prorrogável por até quatro anos. A medida restabelece as condições de navegabilidade e reduz riscos operacionais em um terminal que tenta recuperar competitividade no sistema portuário nacional.
A retomada ocorre em paralelo ao processo de concessão do porto, previsto para 2026, em um momento de mudança no transporte marítimo, com navios maiores e fretes mais voláteis.
Dragagem como condição de escala
A manutenção da profundidade dos canais virou um fator decisivo para a inserção dos portos nas rotas internacionais. A ampliação do uso de navios de grande porte — como os Ultra Large Container Ships (ULCS), com capacidade acima de 14 mil TEUs — exige calados mais profundos e operações mais previsíveis.
Sem dragagem contínua, portos perdem capacidade de receber essas embarcações e ficam fora das principais rotas de longo curso, dependendo de transbordos e elevando custos logísticos.
“Estamos garantindo a continuidade de um serviço essencial para o funcionamento do porto e para a economia local”, afirmou Tomé Franca, ministro de Portos e Aeroportos.
No litoral catarinense, a competição ocorre com terminais que operam com maior regularidade. O Porto de Itapoá e o terminal de Navegantes (Portonave) ampliaram capacidade e vêm capturando cargas conteinerizadas da região.
A instabilidade operacional de Itajaí nos últimos anos, especialmente ligada à dragagem, contribuiu para a migração de volumes para esses terminais.
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Dragagem entra na agenda estrutural
A dragagem ganhou centralidade na agenda portuária nos últimos anos, acompanhando a necessidade de adaptação da infraestrutura ao aumento do porte dos navios. Segundo dados do Ministério de Portos e Aeroportos (MPor), entre 2023 e 2025, o setor concentrou mais de R$ 15 bilhões em investimentos, parte deles direcionada à ampliação e manutenção de canais de acesso, condição básica para garantir calado adequado, evitar restrições operacionais e manter a regularidade das escalas.
Esse movimento também vem acompanhado de mudanças no modelo de gestão. Em Paranaguá, a concessão do canal prevê cerca de R$ 1,2 bilhão em aportes, com dragagem contínua como obrigação contratual.
Já no Porto de Santos, a manutenção permanente do calado, em torno de 15 metros, é tratada como requisito operacional, sinalizando a transição da dragagem de medida emergencial para componente estrutural da competitividade portuária.Para os portos brasileiros, isso aumenta a necessidade de adaptação. Receber navios maiores e operar com regularidade virou condição básica para manter serviços diretos e competitividade.
A retomada da dragagem em Itajaí é, nesse cenário, uma etapa mínima para recolocar o terminal nessa disputa. A combinação entre manutenção do canal, concessão e novos investimentos vai definir se o porto volta a ganhar carga.
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