A ferrovia, por si só, já é menos poluente que o transporte rodoviário. Ainda assim, a redução de emissões já entrou de vez na agenda das operadoras ferroviárias, tornando o modal — ainda pouco explorado no Brasil — mais atrativo do ponto de vista econômico e ambiental.
Esse é o caso da MRS Logística, que conseguiu reduzir em 3,4% a intensidade de emissões em 2025, segundo reporte do seu anuário de sustentabilidade (veja aqui). A companhia alcançou 8,70 gCO₂e por tonelada por quilômetro útil (TKU), ao combinar ganhos de eficiência energética, testes com novas tecnologias e avanço na multimodalidade.
O principal fator por trás do resultado foi o ganho de eficiência energética na operação. Na prática, a MRS aumentou a produtividade dos trens, com melhor aproveitamento da capacidade de carga e redução de desperdícios operacionais.
Isso envolve desde a otimização de rotas até a diminuição do tempo ocioso e uma gestão mais eficiente do consumo de combustível. O resultado é direto: menos diesel por tonelada transportada, mesmo com aumento do volume movimentado. Esse tipo de avanço é considerado o caminho mais viável no curto prazo para descarbonizar o transporte pesado, especialmente em um país onde a eletrificação ferroviária ainda é limitada.
Ao mesmo tempo, a companhia começou a testar alternativas para reduzir a dependência do diesel. Um dos destaques foi a operação de uma locomotiva elétrica por cerca de dois meses e meio em um trecho específico da malha.
A empresa também mantém estudos com tecnologias híbridas, que combinam diferentes fontes de energia. Ainda em estágio inicial, essas iniciativas funcionam como um laboratório para a transição energética no setor ferroviário.
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Multimodalidade entra na equação
Outro vetor relevante é a aposta na multimodalidade. A criação da MRS Hidrovias marca a entrada mais estruturada da companhia no transporte hidroviário, ampliando a integração entre modais.
Segundo a empresa, a combinação entre ferrovia e hidrovia pode reduzir em até 70% as emissões de CO₂e em determinadas rotas, além de diminuir a dependência do transporte rodoviário — mais intensivo em carbono. Na prática, isso também reduz a circulação de caminhões nas rodovias, com impactos indiretos sobre consumo de diesel, congestionamentos e acidentes.
A redução de 3,4% está inserida em uma estratégia mais ampla. A MRS mantém a meta de reduzir em 15% a intensidade de emissões de gases de efeito estufa até 2035, alinhando ganhos operacionais a compromissos ambientais.
“Este relatório reflete um amadurecimento da nossa jornada de sustentabilidade, com uma governança cada vez mais integrada à estratégia da companhia”, afirma Larissa Santos, gerente geral de Sustentabilidade da MRS.
O avanço da companhia reflete uma mudança mais ampla no setor de logística, em que a agenda de descarbonização deixa de ser apenas uma frente reputacional e passa a ser também uma alavanca de eficiência e competitividade.
No fim, a lógica que sustenta a redução das emissões é simples — e cada vez mais central para o transporte de cargas: transportar mais, consumindo menos energia por tonelada.
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