A Petrobras estuda alcançar a autossuficiência no refino de diesel no Brasil até 2031, em um movimento que reflete tanto uma revisão estratégica interna quanto a pressão de um cenário internacional mais instável. A declaração foi feita pela presidente da companhia, Magda Chambriard, durante evento da CNN realizado em São Paulo, nesta quarta-feira (1).
Na ocasião, a executiva indicou que a estatal já tem segurança técnica para atingir cerca de 80% de atendimento da demanda nacional, mas avalia avançar além desse patamar até chegar a 100% nos próximos anos. Hoje, o Brasil produz entre 70% e 75% do diesel que consome, mantendo uma dependência estrutural de importações.
A limitação não está na oferta de petróleo, mas na capacidade de refino. Mesmo com o avanço da produção no pré-sal, parte relevante do óleo bruto é exportada, enquanto o parque de refino ainda não acompanha plenamente o perfil de consumo interno, altamente concentrado no diesel por conta da predominância do transporte rodoviário de cargas.
Ampliação de refinarias
Para fechar essa lacuna, a estratégia da Petrobras passa por ampliar a utilização das refinarias, promover ajustes operacionais para aumentar o rendimento de diesel e avaliar investimentos em expansão da capacidade instalada. Em paralelo, a companhia também aposta no avanço do diesel coprocessado, com conteúdo renovável, como forma de alinhar o crescimento da oferta às metas de descarbonização.
O movimento ganha urgência em meio à escalada das tensões no Oriente Médio, que vêm pressionando o mercado global de petróleo e derivados. A região concentra uma parcela significativa da produção mundial e abriga rotas logísticas críticas, como o Estreito de Ormuz, por onde passa grande parte do petróleo comercializado internacionalmente. Qualquer interrupção nesse fluxo tende a elevar preços e reduzir a disponibilidade de produtos no mercado.
Nesse contexto, países dependentes de importações de diesel, como o Brasil, ficam mais expostos à volatilidade externa. O impacto é direto sobre o custo do combustível e, consequentemente, sobre o frete, afetando toda a cadeia logística. A busca pela autossuficiência, portanto, se insere como uma resposta a esse ambiente de risco, com o objetivo de reduzir a vulnerabilidade a choques internacionais e aumentar a previsibilidade no abastecimento.
Se avançar, a estratégia pode representar uma mudança estrutural no mercado brasileiro de combustíveis, com efeitos diretos sobre o transporte rodoviário e a competitividade logística do país.
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