Latam atinge 30% do mercado de carga aérea na América do Sul

Companhia supera 1 milhão de toneladas transportadas em 2025, expande em rotas internacionais e avança em cargas de alto valor, como farmacêuticos

Valeria Bursztein

O grupo Latam Airlines Group consolidou sua liderança no transporte aéreo de cargas na América do Sul ao encerrar 2025 com cerca de 30% de participação regional, em um cenário de retomada gradual da demanda global e maior relevância do modal para cargas de alto valor agregado.

Dados apresentados durante o World Cargo Symposium, promovido pela International Air Transport Association (Iata), mostram que a companhia superou a marca de 1 milhão de toneladas transportadas globalmente em 2025. A divisão de cargas gerou receita de US$ 1,7 bilhão, equivalente a 11,4% do faturamento consolidado do grupo.

A recuperação do setor também sustenta esse desempenho. Segundo a Iata, após a retração observada em 2023, a demanda global por carga aérea voltou a crescer em 2024 e manteve trajetória positiva em 2025, impulsionada pela recomposição de estoques, avanço do e-commerce e maior circulação de produtos sensíveis a tempo.

Expansão internacional

A estratégia operacional da Latam combina aeronaves cargueiras dedicadas com a capacidade disponível nos porões de aviões de passageiros, o que amplia a flexibilidade e a capilaridade da operação. “Nossa liderança na América do Sul é resultado de um modelo que combina frota cargueira dedicada com a capacidade dos aviões de passageiros do grupo”, afirma Santiago Álvarez, CCO do Latam Cargo Group.

No eixo internacional, a companhia registrou sua maior expansão histórica entre Europa e América do Sul, com 15 frequências cargueiras semanais e aumento de 25% na capacidade. O movimento acompanha a intensificação dos fluxos de exportação de perecíveis e de importação de cargas industriais e farmacêuticas, além do papel da Europa como hub logístico para redistribuição global.

No Brasil, a movimentação de carga aérea também apresenta crescimento. Dados da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) indicam avanço tanto no segmento doméstico quanto internacional, refletindo a recuperação da atividade econômica e do comércio exterior. O Ministério de Portos e Aeroportos também aponta maior participação de cargas de alto valor por tonelada, tendência que favorece o transporte aéreo.

Histórico recente mostra mudança estrutural do negócio

A evolução da operação de carga da Latam nos últimos anos ajuda a explicar o atual posicionamento da companhia. Em 2021, ainda sob os efeitos da pandemia, o transporte de cargas ganhou protagonismo diante da redução da oferta de voos de passageiros, com uso intensivo de aeronaves cargueiras e adaptações operacionais.

A partir de 2022, o grupo iniciou um ciclo de expansão da frota cargueira, com a incorporação de aeronaves Boeing 767 convertidas, ampliando capacidade e preparando a operação para um ambiente de maior estabilidade. Em 2023, já após a reorganização financeira do grupo, a operação foi ajustada a um cenário de demanda mais equilibrada, com recomposição gradual da malha.

Em 2024, a operação voltou a crescer de forma mais consistente. No Brasil, principal mercado do grupo, a Latam Cargo movimentou cerca de 333 mil toneladas, segundo dados da Anac, com avanço tanto no segmento doméstico quanto internacional.

Esse ciclo culmina em 2025, com a superação da marca de 1 milhão de toneladas transportadas globalmente e a consolidação da carga como um dos pilares do grupo, não apenas como complemento à aviação de passageiros, mas como unidade de negócios com dinâmica própria e foco em segmentos de maior valor agregado.

Perecíveis sustentam exportações

No segmento exportador, a Latam mantém forte atuação no transporte de perecíveis, um dos pilares da carga aérea na América do Sul. Em 2025, a companhia movimentou volumes relevantes de flores a partir da Colômbia e do Equador, além de salmão chileno e frutas provenientes de Chile, Peru e Brasil.

Esses fluxos dependem de logística com controle rigoroso de temperatura e prazos reduzidos, o que sustenta a competitividade do modal aéreo em mercados como Estados Unidos e Europa.

No fluxo de importação, a companhia registrou crescimento de 7% em volume na comparação com 2024, com destaque para cargas de maior valor agregado, como insumos industriais, equipamentos e produtos farmacêuticos. N

esse último segmento, o avanço foi de 43% em 2025, apoiado pela ampliação da rede certificada CEIV Pharma, que já soma 221 rotas operadas pela companhia com padrões específicos de qualidade e rastreabilidade.

Mercado mais competitivo

Os resultados da Latam ocorre em um ambiente mais competitivo, com a ampliação da presença de operadores globais e integradores logísticos na região. Apesar da atuação de grandes players internacionais, como Emirates SkyCargo, Qatar Airways Cargo e integradores como FedEx, o mercado de carga aérea é fortemente regionalizado e não possui uma métrica única de participação por companhia.

Nesse contexto, a liderança da Latam na América do Sul ganha relevância estratégica, ao concentrar cerca de 30% do mercado em uma região que ainda representa parcela reduzida da capacidade global.

Em um cenário de cadeias logísticas mais complexas e exigentes, a carga aérea tende a ganhar espaço nos fluxos internacionais, especialmente para produtos de maior valor e sensíveis a prazo, consolidando-se como componente estratégico da logística global.

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