Guerra no Oriente Médio: saiba em qual país o preço do diesel subiu mais

Alta do diesel chega a 52% em alguns países e expõe diferenças profundas nas políticas de preços

Aline Feltrin

A escalada da guerra no Oriente Médio, com foco no Irã, tem provocado um choque relevante nos preços do diesel ao redor do mundo — mas de forma desigual entre os países.

Levantamento do Instituto de Logística e Supply Chain, ILOS, mostra que a Austrália lidera a alta global, com aumento de 52,1% no preço do diesel desde o início do conflito. Em seguida aparecem os Estados Unidos (41,2%) e o Canadá (36,9%).

O movimento reflete principalmente o grau de exposição de cada economia ao mercado internacional de petróleo e a velocidade de repasse das oscilações externas aos preços internos dos combustíveis. Países com mercados mais liberalizados tendem a absorver essas variações de forma mais rápida — e intensa.

Na Europa, os reajustes também foram expressivos. A Alemanha registrou alta de 30,9%, seguida por França (27,8%) e Espanha (24,5%). O Reino Unido aparece com elevação de 18%.

O Brasil ocupa uma posição intermediária, com alta de 20,4%. O desempenho reflete uma combinação entre a condição de produtor relevante de petróleo e a política de paridade parcial da Petrobras, que atua como amortecedor da volatilidade internacional — ainda que não elimine seus efeitos.

Na outra ponta, países com maior controle estatal ou acesso a petróleo com desconto apresentam variações mais limitadas. A Rússia registrou alta de apenas 0,5%, enquanto a Índia não apresentou variação no período analisado.

Para o setor de transporte, o cenário reforça a pressão sobre os custos operacionais. Em rotas rodoviárias de média distância, o diesel pode representar mais de 30% do custo total, ampliando o impacto direto dessas oscilações sobre margens e competitividade.

Estratégias sofisticadas

Diante desse ambiente de maior volatilidade, o ILOS destaca o avanço de estratégias mais sofisticadas de gestão de custos logísticos. Entre elas, ganham espaço os modelos de should cost, que permitem às empresas estimar quanto uma operação de transporte deveria custar com base em variáveis como distância, consumo de combustível, tipo de veículo, pedágios e produtividade da frota.

Na prática, essa abordagem aumenta a transparência nas negociações entre embarcadores e transportadoras, reduzindo assimetrias de informação e criando uma base técnica para a formação de preços. Em um cenário de forte oscilação do diesel, o should cost também ajuda a separar o que é variação conjuntural — como o preço do combustível — do que é eficiência operacional.

Outra frente que ganha relevância é a adoção de contratos com cláusulas de reajuste automático atreladas a índices de frete ou diretamente à variação do diesel. Esses mecanismos permitem repasses mais ágeis das oscilações de custo, evitando defasagens que podem comprometer o equilíbrio econômico dos contratos, especialmente em operações de maior duração.

Segundo o ILOS, empresas que adotam esse tipo de estrutura contratual tendem a reduzir conflitos comerciais e a aumentar a previsibilidade financeira, tanto para quem contrata quanto para quem executa o transporte. Em um ambiente global marcado por choques geopolíticos e incertezas no mercado de energia, a gestão ativa de custos deixa de ser apenas uma vantagem competitiva e passa a ser um elemento essencial para a sustentabilidade das operações logísticas.

Ranking: alta do diesel por país (%)

  1. Austrália — 52,1%
  2. Estados Unidos — 41,2%
  3. Canadá — 36,9%
  4. Alemanha — 30,9%
  5. França — 27,8%
  6. China — 25,4%
  7. Espanha — 24,5%
  8. Brasil — 20,4%
  9. Reino Unido — 18,0%
  10. Coreia do Sul — 15,1%
  11. Itália — 14,9%
  12. Japão — 14,0%
  13. México — 8,7%
  14. Rússia — 0,5%
  15. Índia — 0,0%

Fonte: ILOS

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