O mês de março concentrou iniciativas voltadas à ampliação da participação feminina no Transporte Rodoviário de Cargas (TRC), em um movimento que reflete avanços recentes, mas também evidencia desafios estruturais ainda presentes no setor.
Dados do Índice de Equidade no Transporte Rodoviário de Cargas, do Movimento Vez & Voz — iniciativa do SETCESP — mostram que a participação feminina passou de 14,88% em 2023 para 16,79% em 2025, com mais de 24 mil novas profissionais incorporadas ao setor no período.
O aumento acompanha o crescimento do interesse pela atividade. Entre 2021 e 2025, o número de mulheres habilitadas na categoria E avançou cerca de 40%. Apesar disso, a presença feminina na função de motorista permanece restrita, variando entre 3% e 10%, o que indica um descompasso entre formação e inserção na operação.
Barreiras de acesso à operação
A principal dificuldade apontada por executivos e especialistas do setor está na transição entre qualificação e contratação. Embora haja aumento no número de mulheres capacitadas, a entrada efetiva na operação ainda depende de mudanças estruturais nas empresas e nas condições de trabalho.
Para Ana Jarrouge, presidente executiva do SETCESP, o avanço mais relevante está na mudança de percepção dentro do setor. “Deixamos de tratar a presença feminina como exceção e passamos a encarar como uma construção contínua. Hoje vemos mais mulheres se posicionando e ocupando espaços, o que também provoca mudanças nas empresas”, afirma.
Segundo a executiva, a evolução passa por ajustes em cultura organizacional, ambiente de trabalho e políticas de desenvolvimento, fatores considerados determinantes para retenção e crescimento profissional.
Na avaliação de Joyce Bessa, diretora de estratégia e gestão da TransJordano e vice-presidente extraordinária de ESG da NTC&Logística, o gargalo atual não está na formação, mas na abertura de vagas. “Hoje, muitas mulheres já estão habilitadas, mas não conseguem acessar a operação. Se as empresas não estiverem preparadas para recebê-las, o setor perde uma oportunidade estratégica, inclusive para enfrentar a escassez de mão de obra”, diz.
Diversidade é estratégica
A ampliação da participação feminina passa a ser tratada não apenas como agenda social, mas como fator de competitividade em um setor pressionado por falta de profissionais e necessidade de modernização.
Para as lideranças, a continuidade das iniciativas será decisiva para consolidar os avanços. “Equidade não é discurso, é execução. As empresas que estruturarem processos e cultura para sustentar essa mudança estarão mais preparadas para crescer”, afirma Joyce Bessa.
Ana Jarrouge reforça a necessidade de consistência. “Não podemos tratar esse tema apenas em março. A transformação exige acompanhamento, indicadores e envolvimento das lideranças. Mais do que atrair mulheres para o TRC, o desafio é criar um ambiente para que elas permaneçam e cresçam”, conclui.
Apesar do avanço recente, os dados indicam que a presença feminina no transporte de cargas ainda está em fase de transição. A combinação entre formação, abertura de oportunidades e mudanças estruturais nas empresas será determinante para ampliar a participação das mulheres no setor nos próximos anos.
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