O Brasil pode enfrentar um déficit de engenheiros nos próximos anos, em um momento de aumento da demanda por profissionais técnicos em escala global. O alerta foi feito por Anderson Correia, diretor-presidente do Instituto de Pesquisas Tecnológicas e professor titular do Instituto Tecnológico de Aeronáutica, durante o 1º Fórum Estratégico promovido pela Associação Brasileira de Engenharia Automotiva.
Segundo dados apresentados no evento, entre 2018 e 2023 o país registrou queda de 27% no número de formandos em engenharia — o equivalente à perda de quase um terço dos novos profissionais no período.
O movimento ocorre em paralelo à retração no incentivo à formação avançada: entre 2015 e 2024, a oferta de bolsas da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior para engenharias recuou mais de 10%, enquanto áreas como Ciências Sociais e Saúde avançaram.
Capacidade industrial pressionada
Para Correia, o cenário representa um risco direto à capacidade de inovação do país. “Estamos diante de um movimento preocupante. As engenharias perdem espaço enquanto outras áreas crescem. Isso compromete diretamente a capacidade do país de desenvolver tecnologia e sustentar sua base industrial”, afirmou.
A avaliação é compartilhada por Marcus Vinicius Aguiar, presidente da AEA. “A redução na formação de engenheiros deixou de ser um sinal de alerta e passou a representar um risco concreto para a capacidade do Brasil de inovar e sustentar sua base industrial. Se não houver ação coordenada, vamos enfrentar um déficit de profissionais justamente quando o mundo acelera a demanda por tecnologia”, disse.
Descompasso com a agenda tecnológica
A retração ocorre na contramão de tendências como inteligência artificial, transição energética, biotecnologia e mobilidade avançada, áreas que exigem alta qualificação técnica. Mesmo com uma base relevante de ciência e tecnologia — concentrada especialmente em estados como São Paulo —, o país não tem conseguido reverter a perda de interesse pelas engenharias.
Entre as medidas discutidas no fórum estão o fortalecimento da formação em STEM, maior estímulo ao ensino de matemática desde a base escolar e o reforço da articulação entre indústria, academia e governo. A AEA lançou o Fórum Estratégico de Engenharia para transformar o diagnóstico em propostas ao longo de 2026.
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