A diretoria da Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq) aprovou, em 26 de março, a mudança de controle da Alempor, empresa detentora de um Terminal de Uso Privado (TUP) na região da Alemoa, no porto de Santos (SP). A decisão permite que a empresa chilena de celulose Arauco avance na aquisição da sociedade e na sua estratégia logística no Brasil.
A operação está condicionada à posterior transferência da titularidade do TUP para a Alempor, etapa necessária para a conclusão da transação. Segundo a companhia, o movimento representa um avanço relevante na estruturação logística para suportar as futuras operações industriais no país.
“Isso representa um avanço muito importante para consolidar o plano logístico estruturado para dar suporte às futuras operações industriais da empresa em Inocência (MS)”, afirma Carlos Altimiras, presidente da Arauco Brasil.
A conclusão da aquisição ainda depende do cumprimento de condições comerciais e jurídicas, incluindo formalidades societárias e regulatórias. A expectativa é de fechamento em cerca de 90 dias.
Integração logística
Com a operação, a Arauco avança na construção de uma solução logística integrada conectando o interior do Mato Grosso do Sul ao principal corredor exportador do país. O TUP em Santos será um dos pilares desse arranjo, permitindo maior controle sobre a cadeia logística e ganhos de eficiência no acesso aos mercados internacionais.
O movimento ocorre em um contexto de avanços, mas também de desafios na expansão dos Terminais de Uso Privado (TUPs) no país. Estudo recente da Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq) aponta que parte dos empreendimentos autorizados ainda enfrenta entraves para entrar em operação, relacionados a questões regulatórias, ambientais e de viabilidade econômica.
Nesse cenário, operações como a da Arauco indicam que projetos com carga própria estruturada e integração logística tendem a avançar com maior previsibilidade, reforçando a busca de grandes embarcadores por maior controle sobre a cadeia de exportação.
Projeto Sucuriú
A operação está diretamente associada ao Projeto Sucuriú, o maior investimento da história da Arauco e que marca a entrada da companhia na produção de celulose no Brasil. Com aporte de US$ 4,6 bilhões, o empreendimento prevê a construção de uma planta em Inocência (MS), com capacidade de 3,5 milhões de toneladas anuais e início de operação estimado para 2027.
O escoamento da produção do Projeto Sucuriú deverá contar com integração ferroviária até o porto de Santos, em um arranjo que combina transporte rodoviário na origem e conexão com a malha ferroviária para longas distâncias.
A solução busca reduzir custos logísticos, aumentar a previsibilidade operacional e garantir escala no transporte de grandes volumes, característica essencial para projetos de celulose voltados à exportação. Nesse contexto, a ferrovia tende a assumir papel estruturante no corredor logístico do empreendimento, conectando o interior do Mato Grosso do Sul ao principal hub portuário do país.
Com previsão de início de operação no final de 2027, o projeto deve gerar mais de 14 mil empregos durante as obras e cerca de 6 mil postos na fase operacional, considerando atividades industriais, florestais e logísticas.
Além do impacto econômico regional, o empreendimento amplia a demanda por soluções logísticas de grande escala, reforçando a importância de ativos portuários dedicados e corredores eficientes de exportação.
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