Aena assume Galeão e tenta reativar hub aéreo e de carga no Rio

Capacidade ociosa, retomada internacional e logística estão no centro da nova fase do aeroporto

Valeria Bursztein

A entrada da Aena no controle do Aeroporto Internacional do Galeão abre uma nova fase para o terminal, com expectativa de retomada do fluxo internacional, aumento da ocupação da infraestrutura e expansão das operações de carga aérea.

Arrematado por R$ 2,9 bilhões em leilão recente, com ágio de 210,88%, o ativo passa a ser operado integralmente pela companhia espanhola, que assume o desafio de recuperar competitividade frente a outros hubs nacionais e otimizar uma estrutura hoje subutilizada.

Capacidade ociosa e potencial de crescimento

O Galeão movimentou cerca de 18 milhões de passageiros em 2025, o equivalente a aproximadamente 13% do tráfego aéreo nacional, mantendo-se como o terceiro maior aeroporto do país.

Apesar disso, opera com capacidade instalada para cerca de 37 milhões de passageiros por ano, o que indica amplo espaço para crescimento sem necessidade imediata de grandes investimentos estruturais.

A recomposição da demanda no Rio de Janeiro, impulsionada por ajustes regulatórios — como restrições operacionais no Santos Dumont — e pela retomada do turismo internacional, tende a favorecer o reposicionamento do Galeão como principal porta de entrada aérea da cidade.

Logística e carga no radar

Além do transporte de passageiros, o aeroporto tem papel relevante na logística aérea. Com movimentação próxima de 68 mil toneladas anuais, o Galeão figura entre os principais terminais de carga do país, com potencial de expansão associado à sua conectividade internacional e à proximidade com polos industriais e de consumo.

Nesse contexto, a estratégia da nova operadora deve combinar aumento de voos internacionais, atração de companhias aéreas e fortalecimento das operações cargueiras, segmento de maior valor agregado.

Novo modelo operacional

A concessão foi reestruturada no modelo de venda assistida, com participação do Tribunal de Contas da União (TCU), permitindo o reequilíbrio econômico-financeiro do contrato. Com a mudança, a Infraero deixa a operação, e a Aena assume controle total do ativo.

A concessionária também terá de pagar à União uma contribuição variável anual de 20% do faturamento bruto até 2039.

Com o Galeão, a Aena amplia sua presença no país, onde já opera aeroportos como Congonhas (SP), Recife (PE) e Maceió (AL). A companhia também anunciou recentemente um plano de R$ 5,7 bilhões em investimentos em aeroportos brasileiros, voltado à ampliação de capacidade e modernização da infraestrutura.

A expectativa é que a nova gestão reposicione o Galeão como um hub relevante na malha aérea e logística nacional, em um cenário de retomada da demanda e maior integração com o comércio exterior.

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