Uso extremo de caminhões acende alerta na logística

Frota nova roda mais de 100 mil km/ano enquanto veículos antigos elevam custos e riscos

Redação

O transporte rodoviário de cargas no Brasil opera com alto nível de utilização, especialmente nos primeiros anos de vida útil dos veículos. Levantamento da Confederação Nacional do Transporte (CNT) indica que caminhões pesados chegam a rodar, em média, 106 mil quilômetros por ano no início da operação, evidenciando a intensidade de uso do principal modal logístico do país.

Os dados integram o estudo Transporte em Foco: Quanto rodam os veículos pesados no Brasil?, que será divulgado nesta semana e traz um retrato atualizado do padrão de utilização da frota. A análise considerou mais de 1,4 milhão de avaliações ambientais realizadas entre 2022 e 2025, no âmbito do programa Despoluir, abrangendo cerca de 200 mil veículos pesados.

Uso concentrado nos primeiros anos

O levantamento mostra que o pico de rodagem ocorre nos primeiros anos de operação. Além dos caminhões, ônibus urbanos também apresentam alta intensidade de uso, com médias superiores a 75 mil km por ano.

Com o avanço da idade, a quilometragem anual tende a cair. No caso dos caminhões, a média recua para cerca de 74 mil km no sexto ano, mantendo trajetória descendente ao longo do ciclo de vida.

O comportamento reflete a lógica operacional do setor: veículos mais novos são direcionados a rotas de longa distância e maior exigência, enquanto unidades mais antigas migram para operações regionais ou de apoio.

Dependência do modal e pressão sobre ativos

O alto nível de utilização está associado à predominância do transporte rodoviário na matriz brasileira. O modal responde por cerca de 65% da movimentação de cargas no país, segundo a CNT.

Na prática, o estudo indica que a operação ocorre próxima ao limite de eficiência, com impacto direto sobre a durabilidade dos ativos e a gestão operacional das empresas.

Dados ampliam eficiência na gestão de frota

Para a diretora executiva da CNT, Fernanda Rezende, a disponibilidade de dados mais precisos sobre o padrão de rodagem permite aprimorar a gestão dos veículos.

“Com dados mais precisos, é possível planejar melhor a manutenção, reduzir falhas e cortar custos operacionais, além de diminuir emissões”, afirma.

A leitura mais detalhada do ciclo de uso tende a favorecer decisões como definição do momento de substituição dos veículos, planejamento de manutenção preventiva e alocação mais eficiente da frota conforme o tipo de operação.

Frota envelhecida amplia custos e riscos

Apesar da alta utilização dos veículos mais novos, o Brasil ainda convive com uma frota envelhecida, especialmente no transporte realizado por autônomos.

Segundo o estudo, caminhões podem ultrapassar 1,8 milhão de quilômetros ao longo de cerca de 30 anos de uso, acumulando aproximadamente 790 mil km já no décimo ano.

No transporte autônomo, a frota supera 769 mil veículos, com idade média de 22 anos — fator que eleva custos de manutenção, aumenta o risco operacional e amplia o impacto ambiental.

Renovação ganha centralidade na agenda

Diante desse cenário, a CNT defende a adoção de critérios mais precisos para renovação de frota, que considerem não apenas a idade dos veículos, mas também o nível efetivo de utilização.

A entidade também aponta a necessidade de maior transparência no mercado secundário, com referências mais consistentes de quilometragem por faixa etária, como forma de apoiar decisões de investimento e políticas públicas voltadas à modernização do setor.

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