As exportações brasileiras realizadas por transporte rodoviário para a América do Sul somaram US$ 22,6 bilhões em 2025, o maior valor desde 2015, segundo dados do Instituto de Logística e Supply Chain (ILOS).
O resultado consolida um ciclo de recuperação iniciado em 2021, puxado principalmente pela intensificação das trocas regionais de bens industrializados e de maior valor agregado — segmentos nos quais o modal rodoviário é mais competitivo devido à flexibilidade, disponibilidade e menor tempo de trânsito.
Entre os principais destinos das exportações brasileiras, três são países do Mercosul: Argentina, com US$ 10,6 bilhões; Paraguai, com US$ 3,8 bilhões; e Uruguai, com cerca de US$ 2,3 bilhões. O Chile aparece na sequência, com US$ 3,6 bilhões.
De acordo com o levantamento do ILOS, a forte presença de países do Mercosul entre os principais parceiros comerciais reforça o papel do bloco na dinamização do transporte rodoviário internacional. A integração regional contribui para a redução da burocracia nos regimes de trânsito e para a eliminação de tarifas comerciais, favorecendo operações mais ágeis e competitivas.
O cenário indica que o transporte rodoviário segue como peça-chave na estratégia de exportação brasileira para mercados vizinhos, especialmente em cadeias industriais que exigem rapidez e previsibilidade nas entregas.
Na avaliação de Danilo Guedes, presidente da ABC Cargas, que faz rotas para países como o Chile e Peru, o avanço das exportações brasileiras tem impacto direto sobre o transporte rodoviário internacional, especialmente nas rotas do Mercosul. “Houve uma expansão do transporte, puxada principalmente pelo comércio exterior. O Brasil bateu recorde de exportações, com cerca de US$ 350 bilhões, com crescimento tanto em valor quanto em volume”, afirma.
Segundo o executivo, alguns corredores logísticos se destacaram nesse movimento. “O eixo de Foz do Iguaçu, principalmente na ligação com o Paraguai, concentrou um fluxo maior, impulsionado pela estrutura do porto seco na região. Na sequência, o eixo que liga Argentina e Chile, passando por Uruguaiana e São Borja, também apresentou crescimento relevante”, diz.
Gragalos na fronteira
Apesar do avanço, Guedes ressalta que ainda há gargalos importantes nas operações de fronteira. “Os principais problemas continuam sendo os processos aduaneiros e a falta de infraestrutura, especialmente a insuficiência de pátios para caminhões. Além disso, há um desafio de previsibilidade: muitas vezes não se sabe quanto tempo o veículo ficará parado, o que dificulta o planejamento logístico”, explica.
O executivo também destaca uma mudança no perfil das cargas transportadas. “Temos visto um aumento na exportação de produtos de maior valor agregado, como máquinas agrícolas, equipamentos com maior conteúdo tecnológico e bens duráveis, o que exige ainda mais eficiência no transporte”, afirma.
Para enfrentar esse cenário, as transportadoras vêm adotando novas estratégias. “Há três frentes principais: a adequação da frota às exigências do Mercosul, o investimento em tecnologia e rastreamento para garantir mais segurança e visibilidade, e o uso de dados e inteligência artificial para melhorar o planejamento e a previsibilidade das operações”, conclui.
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