Americanas reduz prazo logístico em 4 dias com cabotagem

Operação entre Suape e Manaus amplia escala, previsibilidade e eficiência no abastecimento do Norte

Valeria Bursztein

A Americanas iniciou a operação de cabotagem para abastecimento de lojas no Amazonas. A nova solução conecta os portos de Suape (PE) e Chibatão (AM) e substitui parcialmente o modelo anterior, baseado no transporte fluvial por balsas.

A mudança insere o modal marítimo como alternativa mais previsível e escalável para a região Norte, historicamente marcada por desafios operacionais e maior exposição a riscos logísticos. Com a adoção de navios porta-contêineres, a empresa passou a consolidar entre 10 e 15 contêineres por embarque semanal, ampliando a capacidade de carga e a regularidade das operações.

Segundo Marcelo Arantes, vice-presidente de Supply Chain da Americanas, a decisão está alinhada à agenda de ganho de eficiência e segurança da companhia. “A cabotagem nos permite consolidar grandes volumes em um único embarque e operar com maior regularidade — algo essencial para o Norte, onde as rotas terrestres e fluviais são naturalmente mais complexas”, afirma.

Redução de transit time

Um dos principais resultados observados com a nova operação é a redução do tempo de trânsito. O prazo médio de entrega caiu de cerca de 15 para 10 dias, uma diminuição de quatro dias no ciclo logístico.

Divulgação Marcelo Arantes, VP de Supply Chain da Americanas

O ganho resulta tanto da maior previsibilidade do transporte marítimo quanto da reorganização da operação, com destaque para a consolidação de cargas em Suape e o uso de base logística própria em Manaus.

“A previsibilidade do transporte marítimo tem um papel importante, mas a reorganização logística foi determinante para esse avanço”, diz Arantes.

A operação teve início em fevereiro, com o embarque de dois contêineres priorizando itens de bomboniere para abastecimento da Páscoa. A estratégia permitiu antecipar o envio de produtos de alta demanda, reduzindo riscos de ruptura em um período sazonal crítico. Produtos mais sensíveis, como ovos de chocolate, seguiram sendo transportados por caminhões refrigerados.

Conteinerização amplia escala e segurança

A conteinerização é um dos pilares do novo modelo. Ao padronizar o fluxo logístico, o uso de contêineres reduz perdas e danos, melhora o manuseio portuário e aumenta a segurança da carga, que permanece lacrada durante todo o trajeto.

Além disso, o modelo traz maior flexibilidade operacional, permitindo ajustes nas janelas de envio e melhor gestão dos fluxos logísticos — uma limitação recorrente no transporte fluvial.

A operação prevê sete embarques semanais, totalizando cerca de 28 por mês e mais de 300 por ano, com volume estimado de aproximadamente 784 toneladas mensais.

Impacto na última milha

A base logística própria da companhia em Manaus foi um fator-chave para a implementação da cabotagem. Localizada próxima ao Porto do Chibatão, a estrutura reduz o percurso terrestre e contribui para maior agilidade na distribuição final.

“Estar mais próximo do porto melhora diretamente a última milha, permitindo reposição mais rápida para as lojas e menor exposição das cargas às condições climáticas da região”, afirma Arantes.

O impacto é direto no nível de serviço, com maior disponibilidade de produtos e menor risco de desabastecimento, especialmente em períodos de alta demanda.

Eficiência além do custo

Embora a redução de custos seja um dos efeitos da mudança, a companhia destaca que o principal ganho está na combinação de eficiência, previsibilidade e mitigação de riscos. Em alguns cenários, o custo pode se aproximar do modelo anterior, mas com ganhos relevantes em estabilidade operacional.

“O principal objetivo da cabotagem não é a redução isolada de custo, mas sim eficiência, previsibilidade e redução de riscos em rotas de longa distância. Em alguns cenários, o custo pode se aproximar do modelo anterior, mas o ganho de tempo, estabilidade e segurança faz com que o modal seja mais competitivo no conjunto da operação”.”, afirma o executivo.

Infraestrutura e oferta

Com resultados iniciais positivos, a Americanas avalia a ampliação do modelo para outras rotas, como Santos–Manaus e Itajaí–Bahia. No entanto, a expansão depende de fatores como capacidade portuária, oferta de embarcações, integração modal e disponibilidade de equipamentos.

No curto prazo, a prioridade é consolidar a rota entre Suape e Manaus, considerada estratégica para a operação no Norte.

“A cabotagem é um componente importante da nossa estratégia multimodal, mas cada região exige soluções específicas. Seguimos avaliando oportunidades para ampliar eficiência e garantir o abastecimento em todo o país”, conclui Arantes.

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