O programa Move Brasil, iniciativa do governo federal para renovação da frota de caminhões, já teria consumido integralmente os R$ 9 bilhões destinados a médias e grandes empresas de transporte, restando cerca de R$ 800 milhões do total de R$ 1 bilhão voltado a transportadores autônomos, segundo relatos de mercado. A informação foi confirmada à reportagem da Agência Transporte Moderno pelo gerente de vendas do maior grupo de concessionárias Mercedes-Benz do Brasil, a Savar, no Rio Grande do Sul, Israel Benedete.
Ele afirmou à reportagem que o mercado já enfrenta restrições na ponta. “O programa Move Brasil praticamente se esgotou. Não há mais recursos disponíveis nem nos bancos das montadoras nem em instituições comerciais, como o Bradesco. O que se comenta é a possibilidade de aprovação de novos aportes, mas, por ser ano eleitoral, duvido que isso se concretize na prática”, disse.
A Transporte Moderno procurou a Associação Nacional dos Bancos das Montadoras (Anef) e o Banco Mercedes-Benz, mas não obteve retorno até o fechamento desta reportagem.
O ritmo acelerado das contratações, no entanto, ainda não é consenso entre as fontes oficiais. Consultado pela reportagem, o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) informou que, até o momento, os dados oficiais apontam a utilização de R$ 6,3 bilhões no âmbito do programa — valor divulgado na semana passada pelo governo federal. O banco de fomento, portanto, não confirma o esgotamento total dos recursos da linha.
A diferença entre os números reforça a percepção de forte demanda pelo programa, que oferece crédito com juros subsidiados para a compra de caminhões novos ou seminovos, dentro de critérios ambientais e de eficiência. Nas redes sociais e entre transportadores, também há relatos de que os recursos se esgotaram em instituições financeiras.
Segundo o gerente de vendas da Savar, o início do programa não gerou antecipação relevante de compras, apesar das condições atrativas. “Agora o mercado voltou a buscar Finame e CDC”, afirmou.
A percepção de esgotamento também foi mencionada pelo diretor vendas do Grupo Scania, Alex Nucci, ao portal Automotive Business. Segundo ele, “o volume de crédito já teria sido totalmente alocado pelas instituições participantes”.
O programa tem vigência até 25 de maio ou até o esgotamento dos recursos, o que ocorrer primeiro, conforme previsto na medida provisória que o instituiu. A possibilidade de encerramento antecipado aumenta a pressão no setor diante da forte demanda e da rápida execução da linha.
Os desembolsos vêm crescendo desde o lançamento. Dados do governo indicam que as aprovações passaram de cerca de R$ 1,3 bilhão no primeiro mês para R$ 3,7 bilhões na sequência, alcançando R$ 5 bilhões em dois meses, o que levou o governo a monitorar a evolução da demanda e avaliar ajustes no programa.
Recurso permanente
O vice-presidente Geraldo Alckmin afirmou que o governo trabalha na criação de um funding permanente para sustentar a política de renovação de frota, incluindo articulação com a Petrobras e um fundo vinculado ao Ministério dos Transportes. “A nossa proposta é ter um programa permanente. Para isso, precisamos de um funding para equalizar essa taxa de juros”, disse à época.
Segundo ele, o principal entrave segue sendo o custo do financiamento. “Qualquer taxa acima de 10% é alta para financiar um bem durável”, afirmou.
A discussão agora gira em torno da continuidade do programa após o prazo previsto, com o mercado pressionando por previsibilidade e novas fontes de recursos diante do esgotamento da linha de crédito.
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