Hapag-Lloyd lucra US$ 1 bilhão, mas alerta para 2026 mais difícil

Companhia amplia volumes e mantém eficiência, mas prevê 2026 mais desafiador com pressão geopolítica

Valeria Bursztein

A Hapag-Lloyd AG encerrou 2025 com lucro líquido de US$ 1,044 bilhão, em um cenário marcado pela queda das tarifas de frete e pelo aumento dos custos operacionais. Os números, divulgados pela empresa esta semana, indicam desempenho no limite superior das projeções da companhia, embora abaixo do registrado no ano anterior.

O EBITDA totalizou US$ 3,6 bilhões, enquanto o EBIT alcançou US$ 1,07 bilhão. Segundo a empresa, o resultado reflete um ano operacionalmente sólido, sustentado pela expansão de volumes e ganhos de eficiência, apesar das pressões externas.

“2025 foi um bom ano para a Hapag-Lloyd, com resultados sólidos. Aumentamos nossos volumes e nossa rede Gemini atingiu 90% de confiabilidade de itinerários. Também investimos significativamente na modernização da frota e na descarbonização das operações”, afirmou Rolf Habben Jansen, CEO da companhia.

A rede Gemini ou Gemini Cooperation é uma aliança operacional entre a Hapag-Lloyd AG e a Maersk, lançada em 2025, que reorganizou as principais rotas globais de contêineres com foco em eficiência e previsibilidade.

O modelo adota uma lógica de hubs estratégicos e redução do número de escalas, com conexões por serviços alimentadores, o que simplifica a operação e reduz riscos de atraso. A iniciativa também prevê maior integração com terminais portuários e compartilhamento de capacidade entre as companhias.

Segundo a empresa, mesmo com bons resultados, os custos iniciais de implementação e ajustes operacionais ainda pressionaram os resultados no curto prazo, com ganhos de eficiência mais relevantes esperados ao longo de 2026.

Mais volume, menor tarifa

No transporte marítimo, principal negócio da Hapag-Lloyd, a receita atingiu US$ 20,6 bilhões em 2025. O volume transportado cresceu 8%, chegando a 13,5 milhões de TEUs. Em contrapartida, a tarifa média de frete caiu 8%, para US$ 1.376 por TEU, pressionada pelo aumento da capacidade global e pelos desequilíbrios nas rotas comerciais.

A rentabilidade também foi impactada por custos adicionais associados a interrupções operacionais, incluindo novas políticas tarifárias, tensões de segurança no Mar Vermelho e congestionamentos portuários.

Terminais ganham peso, mas margem recua

Já o segmento de terminais e infraestrutura registrou receita de US$ 514 milhões, impulsionada pela incorporação de novos ativos e pela maior integração com o negócio de navegação. O EBITDA permaneceu estável em US$ 152 milhões, enquanto o EBIT recuou para US$ 66 milhões, afetado por desafios operacionais e custos de implantação.

Dividendos e estratégia

Diante dos resultados, o conselho executivo propôs o pagamento de dividendo de € 3,00 por ação, totalizando cerca de € 500 milhões.

Segundo Rolf Habben Jansen, a companhia seguirá investindo em eficiência operacional, descarbonização e expansão da sua presença em infraestrutura logística, com destaque para o fortalecimento da marca Hanseatic Global Terminals.

2026 desafiador

Para 2026, a companhia projeta um cenário mais adverso. A expectativa é de EBITDA entre US$ 1,1 bilhão e US$ 3,1 bilhões, e EBIT entre resultado negativo de US$ 1,5 bilhão e positivo de US$ 500 milhões, refletindo a elevada volatilidade das tarifas e os impactos geopolíticos, especialmente no Oriente Médio.

“No início de 2026, condições climáticas adversas já afetaram nosso desempenho e, agora, o conflito no Oriente Médio está causando interrupções relevantes na rede e aumento expressivo dos custos operacionais. Esperamos resultados inferiores aos de 2025”, afirmou o CEO.

Segundo o executivo, a estratégia da companhia para enfrentar esse ambiente inclui acelerar iniciativas de redução de custos, ampliar as sinergias da rede Gemini e expandir a presença em terminais, além de avançar na fusão com a ZIM.

O cenário reforça a leitura de um ciclo mais desafiador para o transporte marítimo global, após anos de forte rentabilidade, em meio à recomposição da oferta, instabilidade geopolítica e pressão sobre custos logísticos.

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