A paralisação de caminhoneiros autônomos prevista para esta quarta-feira (25) no Porto de Santos foi suspensa após um entendimento entre a Autoridade Portuária de Santos (APS) e o Sindicato dos Transportadores Autônomos de Cargas a Granel (Sindgran).
A decisão foi tomada após reunião realizada na manhã de hoje, em Cubatão, entre o diretor de Operações da APS, Beto Mendes, e representantes da entidade. O movimento, que teria duração de 24 horas, não chegou a ser iniciado e não houve impacto na operação do porto — o fluxo de entrada e saída de caminhões seguiu normalmente ao longo do dia.
Como encaminhamento, APS e sindicato concordaram em abrir uma agenda de discussões sobre possíveis alterações na Norma da Autoridade Portuária (NAP), que regula o agendamento da chegada de cargas rodoviárias ao complexo. O objetivo é reduzir o tempo de permanência dos veículos em pátios reguladores e mitigar custos para os transportadores. Novos encontros devem ser agendados.
Cobrança de pátios motivou tensão
A mobilização havia sido convocada pelo Sindgran como forma de protesto contra a cobrança pelo uso de pátios reguladores — estruturas utilizadas para organizar o fluxo de caminhões antes da entrada nos terminais portuários.
Segundo o presidente da entidade, José Cavalcanti de Andrade, a adesão poderia mobilizar caminhoneiros de diferentes estados, com impacto potencial relevante sobre o escoamento de grãos. O fluxo diário no porto gira entre 2 mil e 3 mil caminhões, podendo ultrapassar 4 mil veículos em períodos de pico, considerando cargas como soja, milho, farelo e açúcar.
Apesar da expectativa de forte adesão, o dirigente enfatizou que o movimento não se trataria de greve, mas de uma paralisação pontual de 24 horas.
Questionamentos sobre legalidade e valores
A principal crítica da categoria recai sobre os custos cobrados para acesso e permanência nos pátios reguladores, operados por empresas como Ecopátio, do grupo EcoRodovias, e Rodoper.
De acordo com o sindicato, embora a cobrança seja feita pelos operadores logísticos, ela refletiria uma exigência indireta dos terminais portuários — tanto da margem direita (Santos) quanto da esquerda (Guarujá).
Cavalcanti sustenta que a prática contraria norma atualizada em 2024, segundo a qual o pagamento não deveria ser de responsabilidade do caminhoneiro.
Além disso, aponta falta de padronização nos valores cobrados. Segundo ele, há casos de motoristas que permaneceram 48 horas nos pátios e pagaram cerca de R$ 1.470, enquanto outros desembolsaram mais de R$ 900 por menos de 24 horas.
O Sindgran afirma que operadores de granéis sólidos — incluindo terminais ligados a tradings como COFCO, CLI, T-Grão e Cargill — estariam inseridos na dinâmica de cobrança, ainda que de forma indireta.
A entidade diz ter tentado abrir diálogo com esses agentes, sem sucesso, o que levou à convocação do protesto como forma de pressão.
Risco de escalada permanece
Embora a paralisação tenha sido suspensa, o impasse ainda não está totalmente resolvido. O sindicato não descarta retomar mobilizações, inclusive com maior duração, caso não haja avanço nas negociações.
Em nota, a APS afirmou que atua como mediadora do conflito e mantém diálogo com caminhoneiros, transportadores, terminais e operadores de pátios reguladores para buscar uma solução consensual.
A discussão ocorre em um momento de forte movimentação de granéis agrícolas para exportação. Uma eventual paralisação poderia pressionar a cadeia logística no maior porto do país, responsável por cerca de 30% do comércio exterior brasileiro.
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