A gigante dinamarquesa de logística A.P. Møller – Mærsk aprovou a distribuição de US$ 1,107 bilhão em dividendos a seus acionistas e uma redução relevante de capital, em decisões que refletem uma postura mais conservadora de alocação de recursos em meio à normalização do transporte marítimo global e às incertezas geopolíticas.
As medidas foram compartilhadas nesta quarta-feira (25), durante a assembleia geral anual da companhia, realizada de forma totalmente virtual. Segundo comunicado enviado pela empresa, os acionistas também aprovaram o relatório anual auditado e concederam quitação aos membros do conselho de administração pela gestão no último exercício.
O pagamento de dividendos aprovado equivale a 480 coroas dinamarquesas por ação. Isso reforça o movimento da companhia de devolver caixa aos investidores em um ambiente de acomodação nas tarifas de frete internacional.
Redução de capital
Além da distribuição de resultados, a Maersk aprovou a redução de seu capital social de 15,8 bilhões para 14,7 bilhões de coroas dinamarquesas, por meio do cancelamento de ações em tesouraria. A operação será realizada com prêmio, com base no preço médio de recompra dos papéis. Os recursos serão transferidos das reservas de capital para reservas livres — movimento típico de otimização da estrutura de capital.
No campo de governança, foram reeleitos os membros do conselho que estavam com mandato em término, incluindo Robert Maersk Uggla, que segue como presidente do colegiado. O conselho permanece ainda com nomes como Marika Fredriksson, Allan Thygesen e Xavier Urbain.
A assembleia também reconduziu a PricewaterhouseCoopers como auditora independente, responsável pela revisão das demonstrações financeiras e dos relatórios de sustentabilidade da companhia.
Riscos geopolíticos
Propostas apresentadas por acionistas minoritários relacionadas a critérios ambientais, sociais e de governança (ESG) foram rejeitadas. Entre elas, estavam sugestões para vincular a remuneração de executivos a metas ESG, ampliar a transparência sobre processos de due diligence em direitos humanos e divulgar informações adicionais sobre o transporte de equipamentos militares.
As decisões ocorrem em um momento de transição para o setor de transporte marítimo, após um período de forte expansão de receitas impulsionado pelos gargalos logísticos globais durante a pandemia. Ao mesmo tempo, o setor segue exposto a riscos geopolíticos, especialmente no Oriente Médio, onde tensões recentes têm levado armadores a redirecionar rotas e elevar custos operacionais, adicionando volatilidade ao comércio internacional.
Nesse contexto, movimentos como a devolução de capital e maior disciplina financeira indicam uma estratégia mais cautelosa por parte da Maersk diante de um cenário ainda incerto para o fluxo global de cargas.



