A escalada do conflito no Oriente Médio já começa a alterar decisões operacionais no varejo alimentar brasileiro, com reflexos diretos sobre o planejamento logístico e o uso de equipamentos de armazenagem e movimentação. Ainda sem impacto visível nas prateleiras, empresas passam a operar em modo preventivo diante da perspectiva de alta de combustíveis, insumos e fretes.
Segundo análise da Scanntech, indústria e varejo vêm revisando níveis de estoque, rotinas logísticas e contratos com fornecedores, em especial internacionais. O movimento implica maior demanda por capacidade de armazenagem, intensificação do uso de centros de distribuição e ajustes no giro de estoques — fatores que pressionam a operação de equipamentos como empilhadeiras, sistemas de estocagem e infraestrutura intralogística.
“Não observamos ainda impacto direto nas prateleiras, mas já vemos varejo e indústria revisando níveis de estoque, replanejando logística, negociando com fornecedores, especialmente fora do Brasil, e avaliando cenários de curto e longo prazo”, afirma Daniel Portela, diretor de produtos para supply na Scanntech.
Estoque maior exige capacidade operacional
A principal resposta do setor tem sido elevar estoques como forma de proteção contra oscilações de preços e possíveis rupturas. Dados da empresa indicam que indústrias já operam com níveis de ruptura entre 5% e 10% nas principais redes varejistas, o que tende a ampliar a pressão sobre armazenagem e movimentação interna.
Nos produtos não perecíveis, com estoques entre 30 e 45 dias, há maior margem para ajuste operacional. Já os perecíveis, mais sensíveis a custos de energia, fertilizantes e transporte, exigem maior precisão logística e rapidez no manuseio, elevando a criticidade dos equipamentos e sistemas de intralogística.
O encarecimento do petróleo impacta diretamente o custo do frete e de insumos como embalagens plásticas, enquanto fertilizantes pressionam a cadeia agrícola. Nesse cenário, itens básicos como arroz, feijão e leite tendem a absorver mais rapidamente os efeitos.
“Momentos de instabilidade exigem monitoramento diário e integração maior entre varejo, indústria e transportadoras. A prioridade passa a ser ajustar rapidamente cenários, se aproximar dos parceiros que participam da cadeia de abastecimento para melhor mapeamento completo do cenário, evitar excesso de custo e manter abastecimento”, afirma Priscila Ariani, diretora de marketing e de estudos da Scanntech. “O dado passa a ser essencial para calibrar decisões e evitar erros de estoque em um ambiente de alta volatilidade e consequente baixa previsibilidade”, completa.
A reconfiguração em curso reforça o papel da intralogística como elemento crítico de resiliência, em um ambiente marcado por maior incerteza e menor previsibilidade nas cadeias globais de suprimento.
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