A mobilização de caminhoneiros em Itajaí ganhou força nesta quinta-feira (19) e elevou o nível de atenção sobre uma possível paralisação nacional. O movimento ocorre em meio à expectativa por novas medidas do governo federal e a uma decisão da Justiça que proíbe bloqueios em rodovias e acessos portuários.
Na região, manifestantes se reuniram pela manhã em frente ao porto, dando início aos atos que podem culminar em uma paralisação a partir do meio-dia. A concentração ocorreu nas imediações do complexo portuário de Navegantes, com orientação para que os motoristas não carreguem veículos e permaneçam parados, evitando interdições.
A estratégia do movimento busca evitar sanções, após a Justiça Federal de Santa Catarina determinar a proibição de bloqueios em rodovias federais e nos acessos aos portos da região, incluindo trechos das BR-101 e BR-470. A decisão atende a pedido da União diante do risco de desabastecimento e impactos à economia.
Pelo despacho, caminhoneiros que participarem de bloqueios estão sujeitos a multa diária de R$ 10 mil, enquanto empresas, sindicatos ou entidades podem ser penalizados em até R$ 100 mil por dia. O Código de Trânsito Brasileiro também prevê multa de R$ 5.869,40 e suspensão da CNH por 12 meses para quem utilizar veículos para interromper vias.
Além disso, a Polícia Rodoviária Federal e demais forças de segurança estão autorizadas a atuar para garantir a liberação das estradas, inclusive com uso proporcional da força e identificação de manifestantes. Em caso de recusa, os envolvidos podem responder por desobediência.
Apesar da tensão, lideranças reforçam que o movimento deve ocorrer de forma pacífica. A Associação Nacional do Transporte de Cargas orienta os motoristas a não aceitarem fretes e manterem os caminhões parados, sem bloqueios. “A paralisação é de conscientização, não de piquete”, afirmou um representante da entidade.
Segundo ele, a adesão pode ocorrer sem concentração física. “A orientação é que cada um fique em casa ou deixe o caminhão parado em pátios ou estacionamentos. Se não pegar carga, já ajuda”, disse.
O movimento ocorre em um contexto de insatisfação crescente da categoria, principalmente com a alta do diesel e o descumprimento do piso mínimo do frete. Na última quarta-feira (18), o Ministério dos Transportes anunciou medidas para reforçar a fiscalização da tabela, incluindo a possibilidade de suspensão de empresas reincidentes, por meio da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT).
Compasso de espera
Apesar disso, muitos caminhoneiros seguem em compasso de espera. Lideranças ouvidas pela reportagem afirmam que a categoria aguarda a formalização e o detalhamento das medidas anunciadas pelo governo federal — que podem vir por meio de novos instrumentos legais — para decidir os próximos passos.
A paralisação, por ora, não tem prazo definido e depende diretamente da avaliação dessas ações. Caso as reivindicações sejam atendidas, o movimento pode ser encerrado rapidamente. Do contrário, há risco de ampliação da mobilização para outras regiões do país.
Mesmo sem bloqueios, a suspensão de carregamentos já preocupa o setor produtivo. O complexo portuário de Itajaí e Navegantes é um dos principais corredores logísticos do Sul do país, e qualquer interrupção pode afetar cadeias de abastecimento nos próximos dias.
A Justiça Federal de Santa Catarina reforçou, na decisão, que o direito à manifestação é garantido, mas não pode se sobrepor à livre circulação nem comprometer o abastecimento nacional — ponto que deve pautar os desdobramentos da mobilização nas próximas horas.
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