Locação de caminhões sente impacto dos juros altos e não deve crescer em 2026, diz ABLA

O principal fator de pressão vem do cenário macroeconômico: juros elevados, combinados ao aumento do custo do diesel e à inflação de insumos

Aline Feltrin

O mercado de locação de caminhões deve atravessar 2026 sem crescimento expressivo e ainda com baixa visibilidade, em meio a um ambiente macroeconômico adverso e incertezas no transporte rodoviário, segundo a Associação Brasileira das Locadoras de Automóveis (ABLA)

De acordo com Paulo Miguel Júnior, vice-presidente da ABLA, o segmento de pesados ainda não reúne condições para projeções mais precisas neste ano. “Para pesados eu não tenho projeção ainda. É um mercado que ainda não tem condição de fazer uma previsão”, afirmou.

Apesar disso, a tendência é de estabilidade, sem avanço relevante nos emplacamentos. “O que temos de informação até o momento é que não teremos um crescimento expressivo dos emplacamentos de caminhões”, disse.

O principal fator de pressão vem do cenário macroeconômico. Juros elevados, combinados ao aumento do custo do diesel e à inflação de insumos, têm reduzido a margem das empresas que demandam transporte e, consequentemente, sua capacidade de investimento. “Com o custo do combustível mais alto e a inflação mais elevada, a margem das empresas que demandam esse tipo de ativo reduz. E, com isso, a capacidade de investimento fica menor”, afirmou o executivo.

Além disso, a baixa visibilidade da atividade econômica e riscos operacionais no transporte, como a possibilidade de paralisações, reforçam a cautela das empresas.

Frota cresce, mas compras recuam

Em 2025, o segmento apresentou um comportamento típico de ativos de longa duração: crescimento da frota mesmo diante de retração nas aquisições.

A frota de caminhões nas locadoras somou 56.267 unidades, alta de 10,5% na comparação anual, enquanto os emplacamentos recuaram 8,6%, para 12.260 unidades. O desempenho reflete um ano mais fraco para o mercado de pesados, especialmente em setores como logística e construção. “Não foi um grande ano para a venda de caminhões. É um setor que acabou andando meio de lado”, disse Paulo Miguel.

Segundo ele, a diferença entre a evolução da frota e das compras está relacionada à natureza do ativo. “O caminhão não é um veículo de giro de curto prazo. Ele tem um prazo mais estendido de vida útil, então a gente vai aumentando a frota ao longo do tempo.”

Implementos avançam na locação

O anuário da entidade também passou a incluir dados de implementos rodoviários, como reboques e semirreboques, segmento que segue dinâmica semelhante à dos caminhões. Em 2025, a frota desses equipamentos nas locadoras atingiu 20.948 unidades, reforçando a expansão da locação também nesse mercado.

Segundo a ABLA, trata-se de ativos de longa duração, o que sustenta o crescimento da frota mesmo em períodos de menor renovação. “É um segmento também de vida útil muito longa e segue a mesma dinâmica do setor de caminhões”, afirmou o executivo.

Mudança estrutural

Para a entidade, o avanço da locação está ligado a uma mudança estrutural no transporte rodoviário. Empresas têm deixado de priorizar a posse dos ativos e passado a focar na operação logística.

“Muitos transportadores tinham a ideia de que o negócio era o ativo caminhão e reboque. Hoje começam a perceber que o negócio deles é logística, não o ativo”, disse Paulo Miguel.

A tendência, segundo ele, deve continuar sustentando o mercado no longo prazo, embora o ritmo de crescimento permaneça condicionado ao ambiente econômico no curto prazo.

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