A VLI encerrou 2025 com crescimento operacional e ganho de eficiência, em linha com um momento mais amplo de expansão do transporte ferroviário no Brasil. A companhia movimentou 43,5 bilhões de TKU em seus corredores ferroviários, alta de 4% sobre 2024, enquanto os portos sob sua gestão embarcaram 43,9 milhões de toneladas, avanço de 2%.
Mais do que o aumento de volume, os resultados indicam melhora na qualidade da operação. A receita líquida alcançou R$ 9,95 bilhões e o Ebitda recorrente somou R$ 5,26 bilhões, com margem recorde de 52,9% — patamar elevado mesmo para padrões do setor de infraestrutura. O lucro líquido foi de R$ 1,40 bilhão, crescimento de 5,3%, beneficiado também por iniciativas de refinanciamento da dívida, que reduziram despesas financeiras em um ambiente de juros ainda elevados.
Segundo o CEO Fábio Marchiori, o desempenho reflete disciplina na gestão de custos, alocação estratégica de capital e diversificação do portfólio de clientes e regiões atendidas. A companhia manteve, pelo sétimo ano consecutivo, rating de crédito AAA, o que reforça sua capacidade de financiamento em um momento de retomada de investimentos no setor.
A estratégia de crescimento segue ancorada em aportes robustos. Pelo segundo ano consecutivo, a VLI investiu cerca de R$ 3,5 bilhões — equivalente a 35% da receita líquida e 2,5 vezes o lucro líquido — em modernização de ativos e expansão da capacidade logística, com foco em eficiência, segurança e integração operacional.
Modelo integrado ganha protagonismo
Um dos diferenciais da companhia é a atuação integrada entre ferrovias, terminais e portos, modelo que reduz custos logísticos, aumenta previsibilidade e amplia a competitividade para clientes de cadeias como agronegócio, mineração, indústria e construção civil.
Esse formato, já consolidado na operação da VLI, está no centro da agenda do setor ferroviário brasileiro, que busca ampliar a integração entre modais como forma de elevar eficiência e reduzir gargalos históricos da logística nacional.
Além disso, a empresa apresenta exposição relativamente equilibrada entre diferentes segmentos de carga. Embora a mineração siga relevante, a companhia também tem presença significativa no transporte de grãos, fertilizantes e produtos industriais — o que reduz dependência de ciclos específicos de commodities.
Conexão com exportações
A atuação da VLI está concentrada em corredores logísticos relevantes para o escoamento da produção brasileira, especialmente ligando o Centro-Oeste e Minas Gerais aos portos do Sudeste. Essa posição a insere diretamente nas cadeias exportadoras de maior peso, como grãos e minério de ferro.
Na prática, isso permite à empresa capturar tanto o crescimento do agronegócio — que vem ampliando o uso de ferrovias — quanto a demanda consolidada da mineração, que ainda domina o transporte ferroviário no país.
O avanço da VLI ocorre em um contexto de crescimento do setor como um todo. Em 2025, o transporte ferroviário brasileiro atingiu 555,48 milhões de toneladas úteis, alta de 2,57% e o terceiro recorde anual consecutivo.
A movimentação segue concentrada no minério de ferro, responsável por cerca de 72% do volume transportado. Por outro lado, o agronegócio foi o segmento que mais cresceu no período, com avanço de 4,62%, refletindo a expansão da produção no Centro-Oeste e a maior utilização de corredores ferroviários para exportação.
Esse movimento de diversificação, ainda gradual, é visto como um dos principais vetores de crescimento do setor no médio prazo — e converge com a estratégia de operadores que buscam ampliar a base de cargas.
Nova rodada de concessões
O ciclo atual também é marcado pela retomada dos investimentos em infraestrutura. Entre 2023 e 2025, foram aplicados cerca de R$ 40 bilhões no setor ferroviário, aumento de 60% em relação ao período anterior.
A agenda deve ganhar tração adicional com a previsão de oito novos leilões até o fim de 2026, com potencial de atrair até R$ 140 bilhões em investimentos privados. Paralelamente, o governo trabalha na reestruturação de contratos e na reativação de trechos ociosos, com possibilidade de recuperar até 10 mil quilômetros de malha ferroviária.
Projetos estruturantes, como a Ferrovia Transnordestina, avançam como vetores de expansão regional e aumento da capilaridade logística.
Desafios persistem
Apesar do momento positivo, o setor ainda enfrenta desafios estruturais, como a forte concentração em poucos produtos e a necessidade de maior integração com portos e terminais intermodais.
Nesse cenário, empresas com operação integrada e capacidade de investimento, como a VLI, tendem a se beneficiar de um ambiente mais favorável, marcado por aumento da produtividade e maior participação do capital privado.
O desempenho da companhia, nesse contexto, reflete um movimento mais amplo de amadurecimento do transporte ferroviário no Brasil — que combina expansão de capacidade, ganhos de eficiência e uma diversificação ainda em curso da matriz de cargas.
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