Por que a ANTT atualizou a tabela de frete mínimo?

O reajuste do Diesel S10 acionou o gatilho legal, elevando os pisos mínimos de frete para caminhoneiros e transportadoras

Aline Feltrin

A Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) publicou, no Diário Oficial da União em 13 de março de 2026, a atualização dos valores dos pisos mínimos de frete rodoviário de cargas. A medida, formalizada na Portaria SUROC nº 3/2026, ajusta os coeficientes da tabela de fretes em razão da variação no preço do Diesel S10 — principal insumo de custo no transporte rodoviário.s

A Lei nº 13.703/2018, que instituiu a Política Nacional de Pisos Mínimos do Transporte Rodoviário de Cargas, prevê o acionamento de um mecanismo automático — o chamado “gatilho do combustível”. Sempre que o preço médio do diesel oscila em mais de 5% para cima ou para baixo em relação ao último parâmetro adotado, a ANTT é obrigada a reajustar a tabela de fretes para que os valores remunerem melhor os custos envolvidos na atividade.

No levantamento mais recente feito pela Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), o preço médio do Diesel S10 nas bombas entre 8 e 14 de março de 2026 foi de R$ 6,89 por litro — uma alta acumulada de 13,32% em relação ao valor de referência anterior (R$ 6,08/L). Essa variação acima de 5% foi a base para o acionamento do gatilho e dos incrementos nos pisos mínimos de frete.

Os reajustes médios dos coeficientes por tipo de operação ficaram assim:

  • Tabela A – carga de lotação: +4,82%
  • Tabela B – veículo automotor de cargas: +5,57%
  • Tabela C – carga de lotação de alto desempenho: +6,15%
  • Tabela D – veículo de cargas de alto desempenho: +7,00%

Por que o preço do diesel subiu tanto?

O aumento recente nos preços do diesel não decorre apenas de fatores internos. Um dos motores principais dessa pressão de custos foi a elevação dos preços internacionais do petróleo, que repercute no Brasil e empurra os valores do combustível para cima. A recente instabilidade no mercado global de energia, em especial por tensões geopolíticas no Oriente Médio, tem influenciado a precificação do petróleo bruto e, consequentemente, do diesel nos postos brasileiros.

Além disso, variações cambiais, políticas de preço da Petrobras e custos logísticos influenciam diretamente quanto o caminhoneiro paga por litro de diesel — um insumo que representa cerca de 60% ou mais dos custos variáveis da operação de transporte. (Esse percentual pode variar conforme rota, carga e veículo, e é ressaltado por diversos estudos e relatos da categoria)

O impacto no setor

O cenário de combustível mais caro tem gerado insatisfação entre caminhoneiros autônomos e cooperativas. Em uma reunião realizada no Porto de Santos em 16 de março de 2026, representantes da categoria discutiram a possibilidade de uma paralisação nacional em resposta ao que consideram preço abusivo do diesel — com líderes afirmando que os custos têm corroído a rentabilidade e levado caminhoneiros ao limite.

Segundo esses representantes, a pressão vem principalmente de autônomos que sentem na prática o aumento do diesel, com relatos de variações de preço significativas mesmo ao longo de curtas distâncias e até limitação de volume de combustível por caminhão em alguns postos.

Ainda que não haja uma data definida para qualquer mobilização em larga escala, esse ambiente de tensão reflete uma preocupação crescente da categoria com os custos fixos e variáveis da atividade, que vão além do combustível — incluindo pedágios, manutenção, pneus e outros insumos essenciais.

Por que isso importa?

O gatilho do diesel é uma ferramenta legal para ajustar o valor mínimo do frete em função dos custos reais de operação, evitando que o transporte de cargas se torne economicamente inviável quando os preços dos combustíveis disparam. Para caminhoneiros, transportadoras e embarcadores, entender esse mecanismo é fundamental: ele equilibra a remuneração do transporte com a dinâmica do mercado de combustíveis, reduzindo o risco de perdas financeiras e garantindo o abastecimento da cadeia logística do país.

Os valores atualizados por eixo, quilômetro rodado e tipo de carga estão disponíveis na Portaria SUROC nº 3/2026, publicada no Diário Oficial da União. Para facilitar os cálculos, a ANTT oferece também uma calculadora online de frete em calculadorafrete.antt.gov.br.

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