Uma possível paralisação de caminhoneiros ganhou força após uma reunião realizada nesta segunda-feira (16) no Porto de Santos, que reuniu lideranças de transportadores de diferentes regiões do país. O encontro marcou a primeira assembleia para discutir uma mobilização nacional da categoria, motivada principalmente pelo que os participantes classificam como preço abusivo do diesel.
Em entrevista exclusiva à Agência Transporte Moderno, Wallace Landim, conhecido como Chorão, presidente da Associação Brasileira dos Condutores de Veículos Automotores (Abrava), afirmou que a maioria dos representantes presentes se manifestou a favor de uma paralisação, embora ainda não haja uma data definida.
“Hoje a maioria das lideranças de todos os Estados envolvidos decidiu que vai fazer uma paralisação. Mas precisamos seguir um trâmite legal, conversar com outras entidades e alinhar uma data dentro da legislação”, disse Chorão.
A reunião contou com representantes de transportadores autônomos e lideranças de estados como SP, RJ, GO, PR e RS. Segundo Chorão, a maior parte dos participantes é formada por caminhoneiros autônomos, que vêm sendo os mais impactados pelo aumento dos custos.
Agora, as lideranças pretendem ampliar o diálogo com outras entidades do setor, além de cooperativas e associações regionais, antes de oficializar a convocação da paralisação.
“Essa foi a primeira assembleia que fizemos em Santos. Agora precisamos conversar com todas as outras entidades para ver se todos estão de acordo e, então, alinhar uma data”, explicou Chorão.
Embora não haja um número consolidado de caminhoneiros envolvidos, apenas na Baixada Santista os sindicatos e associações presentes representam milhares de profissionais. Um sindicato da região reúne cerca de 5 mil associados, enquanto cooperativas locais somam aproximadamente 10 mil transportadores. A Abrava, presidida por Chorão, reúne cerca de 35 mil caminhoneiros.
Adesão das transportadoras
Além dos autônomos, a mobilização também pode ganhar apoio de transportadoras. Para Chorão, o aumento do diesel tem pressionado toda a cadeia do transporte rodoviário de cargas.
“Todo mundo está na mesma dor. A transportadora diz que não consegue repassar o custo porque o embarcador não paga, e o autônomo que trabalha para ela também está sofrendo”, afirmou.
O principal alvo das críticas é o preço do diesel praticado por distribuidoras e postos. De acordo com Chorão, há grandes variações de preço mesmo em distâncias curtas, reforçando a percepção de cobrança abusiva.
“Em cada dois quilômetros você encontra um preço diferente. Eu cheguei a ver diesel a R$ 6,29 descendo para Santos. O governo precisa fiscalizar as distribuidoras e revendedoras”, disse.
Outro fator que preocupa os caminhoneiros é a possibilidade de falta de combustível em algumas regiões. Chorão relatou que produtores e transportadores do Centro-Oeste já enfrentam dificuldades para abastecer.
Cotas de diesel
Segundo ele, alguns postos passaram a limitar o volume de diesel vendido por veículo, estabelecendo cotas entre 200 e 300 litros por caminhão.
“Tem posto que já está fazendo cota porque muita gente está com medo de o preço subir mais e vai abastecer várias carretas de uma vez”, afirmou.
Diante desse cenário, as lideranças afirmam que o movimento entrou em estado de alerta. Novas conversas com entidades do setor devem ocorrer nos próximos dias e, caso haja consenso entre as organizações representativas, uma paralisação nacional poderá ser convocada.
“Se todo mundo estiver de acordo, a gente informa a data. A paralisação é a única forma que o caminhoneiro tem para lutar pela sobrevivência”, concluiu Chorão, em declaração exclusiva à Agência Transporte Moderno.
Cenário de pressão
A mobilização dos caminhoneiros ocorre em meio a um cenário de pressão nos preços do diesel motivado principalmente pela escalada do preço internacional do petróleo, provocada pela guerra no Oriente Médio.
Em 12 de março, o governo federal anunciou um pacote de medidas emergenciais para tentar conter a alta do combustível, incluindo a zeragem das alíquotas de PIS e Cofins sobre o diesel, a criação de um imposto extraordinário sobre exportação de petróleo e subvenções a produtores e importadores.
A medida de desoneração do diesel chegou a reduzir o preço do combustível em até R$ 0,64 por litro. Ainda assim, transportadores relatam dificuldades diante das variações de preços entre distribuidoras e postos, além do risco de desabastecimento em algumas regiões. O cenário também foi pressionado pelo reajuste anunciado pela Petrobras na sexta-feira, 13, que voltou a elevar o valor do diesel nas refinarias.
Em paralelo, o governo informou que irá reforçar a fiscalização da cadeia de combustíveis, com integração de dados da Receita Federal do Brasil e da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) para monitorar possíveis práticas abusivas e irregularidades na formação de preços. A expectativa é que o cruzamento de informações permita identificar distorções entre os valores praticados pelas distribuidoras e os repassados ao consumidor final.
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