Mais de 10 mil tripulantes estao presos em navios no Golfo Pérsico

Escalada do conflito entre EUA, Israel e Irã bloqueia Estreito de Ormuz e coloca em risco a segurança de marítimos e cargas

Aline Feltrin

O aumento das tensões entre Estados Unidos, Israel e Irã está afetando gravemente o transporte marítimo no Golfo Pérsico, deixando mais de 10 mil tripulantes retidos a bordo de navios que não podem atravessar o Estreito de Ormuz com segurança. Desde 28 de fevereiro, pelo menos dez ataques a embarcações mercantes foram registrados, segundo autoridades britânicas. A informação é do site chileno Mundo Marítimo.

Na quarta-feira (11), três navios foram atingidos por projéteis. O graneleiro tailandês Mayuree Naree sofreu incêndio na sala de máquinas após ser atingido duas vezes; vinte tripulantes foram evacuados com ferimentos e três permanecem desaparecidos. Autoridades iranianas afirmaram ter disparado contra a embarcação após ela ignorar alertas da Guarda Revolucionária.

O graneleiro Star Gwyneth, da Star Bulk Carriers, também foi atingido, mas sem feridos, e o navio seguiu viagem por conta própria. O porta-contêineres One Majesty, da Mitsui O.S.K. Lines, sofreu danos parciais acima da linha d’água enquanto estava ancorado, mas a tripulação está a salvo.

Petroleiros como Safesea Vishnu e Zefyros, transportando condensado de gás natural, foram atacados em águas iraquianas; 25 tripulantes foram resgatados, um corpo foi recuperado, e os navios permanecem em chamas.

Normalização somente em duas semanas

O impacto humano se soma ao logístico: o Estreito de Ormuz, um dos principais gargalos do comércio mundial, teve o tráfego drasticamente reduzido. Dados da consultoria S&P Global Energy mostram que apenas quatro navios cruzaram o estreito em 8 de março, frente a 91 travessias em 28 de fevereiro. Estimativas do Goldman Sachs indicam que o fluxo atual corresponde a apenas 10% do normal.

A empresa Maersk informou que dez de seus navios permanecem retidos, e corretores marítimos estimam que mais de 100 embarcações enfrentam a mesma situação. O CEO da companhia, Vincent Clerc, alertou que mesmo com um cessar-fogo, a normalização das operações pode levar uma a duas semanas.

O bloqueio efetivo marca o primeiro fechamento do Estreito de Ormuz desde a guerra Irã-Iraque na década de 1980, deixando milhares de tripulantes em uma das áreas marítimas mais perigosas do planeta, enquanto o transporte global de cargas e energia enfrenta vulnerabilidade inédita.

Fique por dentro de todas as novidades do setor de transporte de carga e logística:
Siga o canal da Transporte Moderno no WhatsApp
Acompanhe nossas redes sociais: LinkedInInstagram e Facebook
Inscreva-se no canal do Videocast Transporte Moderno

Veja também

CEO
Marcelo Fontana
[email protected]
Editora
Aline Feltrin
[email protected]
/aline-feltrin
Repórter
Valéria Bursztein
[email protected]
/valeria-bursztein
Executivo de contas
Tânia Nascimento
[email protected]
Raul Urrutia
[email protected]
Publicidade
Karoline Jones
[email protected]
Financeiro
Vidal Rodrigues
[email protected]

Newsletter O que move o mercado, primeiro para você

Receba as principais notícias, análises e tendências do transporte moderno diretamente no seu e-mail e acompanhe atualizações em tempo real pelo nosso canal oficial.