Indústria de caminhões já fechou 180 vagas neste ano

Desempenho fraco do setor de caminhões pressiona empregos, apesar de leve reação na produção em fevereiro, segundo a Anfavea

Aline Feltrin

A indústria brasileira de caminhões fechou 180 vagas de trabalho no início de 2026, em meio ao desempenho mais fraco do segmento. Os dados foram divulgados pela Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea).

De acordo com o presidente da entidade, Igor Calvet, o mercado de veículos pesados enfrenta um começo de ano mais desafiador, marcado por queda nas vendas, nas exportações e na produção em relação ao mesmo período de 2025.

Segundo o executivo, o segmento de caminhões é especialmente sensível às condições de crédito e ao ritmo da atividade econômica, fatores que influenciam diretamente as decisões de renovação de frota por transportadoras e caminhoneiros.

Mesmo nesse cenário, a produção apresentou uma reação em fevereiro. Para Calvet, o avanço pode estar relacionado aos primeiros efeitos do programa Move Brasil, que já liberou R$ 4,2 bilhões em crédito para financiamento de veículos.

Assim, as montadoras produziram 7,8 mil caminhões em fevereiro, volume 14,5% superior ao registrado em janeiro, quando haviam sido fabricados 6,8 mil veículos.

Apesar da melhora na comparação mensal, o resultado ainda está bem abaixo do observado no ano passado. Em fevereiro de 2025 foram produzidos 12 mil caminhões, o que representa queda de 34,9% na comparação anual.

No acumulado do primeiro bimestre, a produção somou 14,6 mil unidades, frente a 20 mil caminhões no mesmo período de 2025, retração de 27%.

Vendas e exportações pressionadas

Do lado da demanda, o mercado também segue enfraquecido. Os emplacamentos de caminhões totalizaram 6,7 mil unidades em fevereiro, avanço de 3,3% sobre janeiro, quando foram licenciados 6,4 mil veículos. Na comparação com fevereiro do ano passado, porém, houve queda de 25,7%.

No acumulado de janeiro e fevereiro, as vendas somaram 13,1 mil caminhões, contra 18,4 mil unidades no mesmo período de 2025, o que representa retração de 28,7%.

As exportações também permanecem em patamar baixo. Em fevereiro, foram embarcados 1,2 mil caminhões, alta de 5,7% em relação a janeiro, quando as vendas externas haviam somado 1,1 mil unidades.

Na comparação anual, no entanto, a queda foi expressiva: 49,4% frente a fevereiro de 2025. No acumulado do primeiro bimestre, as exportações totalizaram 2,3 mil caminhões, ante 3,3 mil unidades no mesmo período do ano passado, retração de 31,6%.

Segundo Calvet, a forte redução nas exportações para a Argentina tem pesado sobre o desempenho do setor. “Causa preocupação a retração expressiva nas exportações para a Argentina, mercado que nos ajudou muito nos resultados positivos de 2025”, afirmou o presidente da Anfavea.

Renovação de frota é aposta para estimular o mercado

Apesar do início de ano ainda fraco, a indústria aposta no programa Move Brasil para estimular a demanda ao longo de 2026. A iniciativa do governo federal busca facilitar o financiamento para a aquisição de caminhões novos e seminovos. Até o momento, o programa já liberou R$ 4,2 bilhões em crédito, de um total de R$ 10 bilhões disponíveis.

O vice-presidente da República e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Geraldo Alckmin, afirmou recentemente que o governo trabalha para transformar o programa em uma política permanente de renovação da frota.

A proposta prevê a criação de dois fundos — um ligado ao Ministério dos Transportes e outro em negociação com a Petrobras — para garantir recursos destinados à equalização das taxas de juros nos financiamentos.

Segundo o ministro, o custo do crédito ainda é o principal entrave para a renovação da frota de caminhões no país, já que financiamentos de bens de alto valor continuam sensíveis a taxas de juros elevadas.

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