A indústria brasileira de implementos rodoviários registrou em fevereiro o primeiro sinal de reação em 2026. Foram emplacadas 9.870 unidades no mês, alta de 12,5% em relação a janeiro, quando haviam sido registrados 8.760 equipamentos.
O avanço ocorre em meio ao início da safra agrícola — período tradicionalmente associado ao aumento da demanda por transporte — e também pode refletir efeitos indiretos do programa Move Brasil, lançado pelo governo federal para incentivar a renovação da frota de caminhões no país.
“Essa reação do mercado pode ter influência do agronegócio, com a safra em andamento, e do programa Move Brasil que mesmo não sendo direcionado ao nosso setor trouxe reflexos positivos”, afirma José Carlos Spricigo, presidente da ANFIR.
O programa disponibiliza R$ 10 bilhões em crédito para financiamento de caminhões novos. Até agora, R$ 4,2 bilhões já foram contratados. Dados da Fenabrave indicam que os emplacamentos de caminhões cresceram 3,7% em fevereiro na comparação com janeiro, movimento que tende a gerar demanda complementar por implementos.
“Está clara a influência do Move Brasil no desempenho dos fabricantes de caminhões agora resta saber se o mercado de implementos rodoviários seguirá sendo impactado”, diz o executivo.
Leia mais
Mercedes-Benz vende 400 caminhões no Move Brasil e projeta impacto nos emplacamentos a partir de março
Alckmin articula fundo permanente com Petrobras para manter Move Brasil
“Move Brasil antecipa decisões de compra e dá impulso inicial ao mercado”, diz executivo da Volvo
Segmento pesado impulsiona a recuperação
O desempenho mensal foi puxado principalmente pelo segmento de reboques e semirreboques, que registrou crescimento de 15,5% em fevereiro. Foram emplacadas 5.007 unidades no mês, ante 4.335 equipamentos em janeiro.
Já o segmento de carrocerias sobre chassi apresentou avanço mais moderado, de 9,9%, passando de 4.425 unidades para 4.863 equipamentos no período.
A reação indica um movimento pontual de recomposição de demanda após um início de ano mais fraco para a indústria, ainda marcado por incertezas econômicas e pela desaceleração observada no mercado de transporte ao longo de 2025.
Bimestre ainda mostra retração
Apesar da melhora na margem, o desempenho acumulado do setor segue negativo na comparação anual. Nos dois primeiros meses de 2026 foram emplacados 18.630 implementos rodoviários, queda de 21,6% em relação às 23.762 unidades registradas no mesmo período de 2025.
O segmento de reboques e semirreboques apresentou retração de 24,66% no bimestre, com 9.342 unidades emplacadas, ante 12.400 no ano anterior. Apenas as linhas de tanque inox e produtos especiais registraram variação positiva.
No segmento de carrocerias sobre chassi, o recuo foi de 18,25%. Foram comercializadas 9.288 unidades no primeiro bimestre, contra 11.362 equipamentos no mesmo período do ano passado.
Os números indicam que, embora haja sinais de recuperação na margem, a indústria de implementos rodoviários ainda opera em um nível inferior ao observado em 2025, refletindo um ambiente de demanda mais cautelosa no setor de transporte de cargas.
Fique por dentro de todas as novidades do setor de transporte de carga e logística:
Siga o canal da Transporte Moderno no WhatsApp
Acompanhe nossas redes sociais: LinkedIn, Instagram e Facebook
Inscreva-se no canal do Videocast Transporte Moderno



