Conheça como funciona a logística que entrega 550 mil refeições por dia

Operação da Risotolândia integra produção industrial, rotas urbanas e controle de temperatura para distribuir 400 toneladas diariamente

Valeria Bursztein

A logística de refeições coletivas reúne características que a diferenciam de outras operações de transporte. A necessidade de sincronizar produção industrial, controle de temperatura, janelas rígidas de entrega e volumes elevados de distribuição cria um modelo operacional em que o transporte precisa funcionar como extensão direta da cozinha.

No Grupo Risotolândia, operador de alimentação coletiva, essa engrenagem movimenta cerca de 400 toneladas de alimentos por dia, entre refeições prontas e insumos in natura. A operação atende escolas, hospitais, empresas e unidades do sistema prisional em mais de 300 cidades de sete estados brasileiros.

Responsável por mais de 550 mil refeições diárias, o grupo centraliza grande parte da produção no Paraná, de onde parte a distribuição organizada pela Campodoro Transportes & Logística, unidade responsável pela gestão da frota e das rotas.

Segundo Luan Silva, supervisor de Transportes da Campodoro Transportes & Logística, a principal complexidade da operação está na integração entre produção e transporte.

“A nossa logística é bastante específica porque envolve tempo de produção, tempo de distribuição e alimentos perecíveis. É uma operação muito dinâmica, em que o transporte precisa acompanhar exatamente o ritmo da produção”, afirma.

PCP define ritmo da distribuição

A dinâmica da operação começa no PCP (Planejamento e Controle da Produção), que organiza os volumes e libera os pedidos para expedição. A partir desse ponto, a logística passa a atuar diretamente no carregamento e distribuição.

As rotas são pré-definidas contratualmente e permanecem estáveis ao longo da operação. A previsibilidade é necessária para garantir o cumprimento de horários rígidos de entrega, especialmente no atendimento ao setor público.

“Quando a produção libera os pedidos, fazemos a separação por rota, conferência e carregamento. Entre carregar o caminhão e realizar a entrega temos cerca de uma hora e meia”, explica Silva.

A operação se repete três vezes ao dia, acompanhando os horários das refeições servidas nas unidades atendidas: desjejum, almoço e merenda da tarde.

Somente na região metropolitana de Curitiba, principal base de atendimento escolar da empresa, são mais de 100 entregas diárias, além da logística reversa das embalagens térmicas utilizadas no transporte.

Pela manhã, cerca de 70 veículos entram simultaneamente em operação para atender a primeira janela de distribuição.

Juliana Gouveia Foto: Divulgação / Risotolândia

Transporte de alimentos quentes e perecíveis

A estrutura logística da empresa precisa lidar com dois fluxos distintos de produtos: refeições prontas e alimentos in natura.

Atualmente, cerca de 65% do volume transportado corresponde a refeições prontas, acondicionadas em recipientes térmicos que preservam a temperatura até o momento do consumo. O restante corresponde a insumos como carnes e outros perecíveis, que exigem transporte refrigerado.

Para essa operação, a Campodoro mantém uma frota de aproximadamente 190 veículos, sendo 100 próprios e 90 terceirizados.

Entre os veículos próprios, cerca de 20 caminhões são equipados com sistemas de refrigeração para transporte de alimentos in natura.

“Os alimentos prontos são transportados em embalagens térmicas próprias, que mantêm a temperatura adequada até o consumo. Já os produtos perecíveis exigem veículos refrigerados”, afirma Silva.

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Logística reversa amplia complexidade

Além da distribuição, a operação inclui um fluxo permanente de retorno de embalagens utilizadas no transporte das refeições.

Após as entregas, os veículos retornam ao centro produtivo trazendo as hotboxes vazias, que passam por higienização antes de serem reutilizadas.

Esse ciclo de ida e volta ocorre ao longo do dia inteiro, com veículos que atendem a operação da manhã retornando posteriormente para carregar os volumes da merenda da tarde.

Monitoramento e redundância operacional

Para garantir continuidade operacional, a empresa mantém um sistema de redundância logística voltado à resposta rápida a ocorrências em rota.

Entre os 190 veículos da operação, cerca de 30 são vans e utilitários utilizados em atendimentos emergenciais, como substituição de cargas ou reposição de itens que não atendam aos padrões de qualidade.

Além disso, um grupo específico de veículos é dedicado exclusivamente à resolução de ocorrências operacionais.

A operação é acompanhada em tempo real por sistemas próprios que integram telemetria, rastreamento e comunicação com o atendimento das unidades atendidas.

“A comunicação é o item mais importante na nossa logística. É uma operação muito dinâmica e precisamos de interação em tempo real entre produção, transporte e atendimento”, afirma Silva.

Segundo ele, a análise dos dados operacionais tem permitido identificar gargalos e oportunidades de melhoria nas rotas.

Custos logísticos e desafios operacionais

A operação logística da Campodoro representa hoje cerca de R$ 4 milhões mensais em custos de transporte, o equivalente a aproximadamente 2% a 3% do faturamento do grupo, que alcançou R$ 700 milhões em 2025.

Entre os principais desafios estão a mobilidade urbana nas áreas atendidas, manutenção da frota e escassez de mão de obra especializada, especialmente motoristas e ajudantes.

Para mitigar esses problemas, a empresa tem investido em treinamento interno e ampliado o uso de transportadores parceiros.

Expansão da cozinha deve demandar logística

A Risotolândia também está ampliando sua infraestrutura industrial com a construção de uma nova cozinha central em Araucária (PR), que recebeu investimentos superiores a R$ 17 milhões.

Com mais de 4 mil metros quadrados, a nova unidade contará com equipamentos industriais como fornos contínuos, caldeiras, envasadoras e sistemas automatizados de climatização.

A expectativa é elevar a produtividade em até 30%, ampliando a capacidade de produção de refeições transportadas.

“Essa nova estrutura vai impactar diretamente a expedição. Com uma produção mais ágil, o transporte também terá que acompanhar esse aumento de volume”, afirma Silva.

Renovação de frota e eletrificação

O crescimento da operação também deve impulsionar investimentos na frota da Campodoro. A empresa avalia retomar, no segundo semestre, um plano de renovação de veículos.

Entre as alternativas em análise está o uso de linhas de financiamento voltadas à modernização de frotas, como o programa Move Brasil.

Atualmente, a empresa já opera dois caminhões elétricos, modelos baú da JAC Motors, com capacidade para até 3,5 toneladas de carga seca e autonomia média de 250 quilômetros por dia.

Segundo Silva, a ampliação da frota eletrificada ainda depende de fatores como custo de aquisição e disponibilidade de infraestrutura de recarga.

Expansão internacional

O crescimento do grupo também inclui a entrada no mercado internacional. A Risotolândia iniciará, em março de 2026, uma operação de alimentação escolar em Santiago, no Chile, após vencer licitação para atender 12 escolas públicas.

A operação deverá fornecer cerca de 5 mil refeições por dia, com produção realizada dentro das próprias unidades escolares.

A iniciativa faz parte da estratégia de expansão da empresa, que tem como meta alcançar R$ 1 bilhão em faturamento até 2027.

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