A produção de caminhões no Brasil apresentou reação em fevereiro de 2026, após um início de ano fraco para o segmento. Segundo dados da Associação Nacional das Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), divulgados na manhã desta sexta-feira (6), as montadoras produziram 7,8 mil unidades no mês, volume 14,5% superior ao registrado em janeiro, quando haviam sido fabricados 6,8 mil veículos.
Apesar da melhora na comparação mensal, o resultado ainda fica bem abaixo do registrado no mesmo período do ano passado. Em fevereiro de 2025, a indústria produziu 12 mil caminhões, o que representa queda de 34,9% na comparação anual.
No acumulado do primeiro bimestre, o recuo permanece significativo. Entre janeiro e fevereiro de 2026, saíram das linhas de montagem 14,6 mil caminhões, frente às 20 mil unidades registradas no mesmo período de 2025 — retração de 27%.
Do lado da demanda, os números também seguem pressionados. Os emplacamentos de caminhões somaram 6,7 mil unidades em fevereiro, avanço de 3,3% sobre janeiro, quando foram licenciados 6,4 mil veículos. Na comparação com fevereiro do ano passado, porém, houve queda de 25,7%.
Em janeiro e fevereiro, as vendas totalizaram 13,1 mil caminhões, frente a 18,4 mil unidades registradas no mesmo período de 2025, retração de 28,7%.
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O peso das exportações
As exportações de caminhões também mostraram leve recuperação na comparação mensal, mas seguem muito abaixo do nível do ano passado. Em fevereiro, foram embarcadas 1,2 mil unidades, alta de 5,7% sobre janeiro, quando as vendas externas somaram 1,1 mil veículos. Na comparação com fevereiro de 2025, porém, houve queda de 49,4%.
Da mesma forma, no primeiro bimestre as exportações totalizaram 2,3 mil caminhões, frente a 3,3 mil unidades no mesmo período do ano passado, retração de 31,6%
Segundo o presidente da Anfavea, Igor Calvet, parte das dificuldades do setor está relacionada ao cenário externo e à queda das exportações de veículos brasileiros.
“Causa preocupação a retração expressiva nas exportações para a Argentina, mercado que nos ajudou muito nos resultados positivos de 2025”, afirmou o executivo.
Apesar do início de ano ainda fraco, a indústria aposta no programa de renovação de frota para estimular a demanda ao longo de 2026, o Move Brasil. A iniciativa do governo federal busca facilitar o financiamento para aquisição de caminhões novos e seminovos.
O vice-presidente e ministro do desenvolvimento, indústria, comércio e serviços (MDIC), Geraldo Alckmin, afirmou recentemente que o governo trabalha para transformar o programa em uma política permanente de renovação da frota. A estratégia prevê a criação de dois fundos — um ligado ao Ministério dos Transportes e outro em negociação com a Petrobras — para garantir recursos destinados à equalização das taxas de juros nos financiamentos.
“A nossa proposta é ter um programa permanente. Para isso, precisamos ter um funding para equalizar essa taxa de juros”, disse o ministro.
Segundo Alckmin, o custo do crédito ainda é o principal entrave para a renovação da frota. Mesmo com a tendência de queda da taxa básica de juros, patamares acima de 10% continuam elevados para o financiamento de bens de alto valor, como caminhões.
Até o momento, o Move Brasil já liberou R$ 4,2 bilhões em crédito dos R$ 10 bilhões disponibilizados para financiamentos. Do montante reservado aos caminhoneiros autônomos — R$ 1 bilhão — cerca de R$ 115 milhões já foram utilizados, incluindo R$ 48 milhões destinados à compra de caminhões seminovos.
O programa também prevê incentivos adicionais para retirada de veículos antigos de circulação. De acordo com o governo, cerca de 300 mil caminhões com mais de 20 anos ainda operam no país, e a proposta é oferecer condições mais vantajosas de financiamento para quem aderir à reciclagem da frota.
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