“O telefone voltou a tocar”, diz executivo do Banco Mercedes-Benz sobre crédito para caminhões

Procura por financiamento dobra após programa federal, com pequenos frotistas liderando adesão com 60% das operações

Aline Feltrin

O programa de financiamento para caminhões lançado pelo governo federal já começa a reaquecer a demanda nas concessionárias da Mercedes-Benz. Segundo Marcello Larussa, diretor comercial do Banco Mercedes-Benz do Brasil, o volume de propostas de crédito enviadas para análise dobrou após o anúncio da iniciativa, indicando que transportadores voltaram a buscar financiamento para renovar a frota.

“Se compararmos o período anterior ao anúncio com o posterior, tivemos crescimento de 100% no volume de propostas submetidas ao crédito, principalmente entre pequenos frotistas. Costumamos brincar que o telefone voltou a tocar”, afirmou o executivo em entrevista à Transporte Moderno.

De acordo com Larussa, cerca de 60% das operações estão concentradas no chamado retail, segmento formado por transportadores menores, com operações de até R$ 4,5 milhões. Os outros 40% correspondem a clientes médios e grandes, que também começaram a aderir à linha, embora ainda em menor proporção.

Mix de Finame e CDC

O executivo explicou que o financiamento de caminhões atualmente ocorre por meio de um mix entre o BNDES Finame e o Crédito Direto ao Consumidor (CDC). Historicamente, o Finame sempre foi uma das principais fontes de crédito para a aquisição de veículos comerciais, e o Banco Mercedes-Benz já chegou a ser o maior repassador da linha.

Com a elevação das taxas de juros nos últimos anos, porém, a instituição passou a estruturar campanhas em conjunto com a montadora para manter a competitividade das condições de financiamento.

Entre as iniciativas está a oferta de taxa de 0,99% ao mês para o caminhão leve Accelo. A campanha não pode ser estruturada dentro das regras do Finame e, por isso, utiliza o CDC.

“O Finame continua sendo um produto muito atrativo, mas algumas campanhas não cabem dentro da estrutura dele. Nesses casos, usamos o CDC. Hoje existe um equilíbrio entre as duas modalidades”, explicou.

Custo pesa mais que burocracia

Larussa reconhece que o Finame envolve mais etapas administrativas, já que exige adequação às regras do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). Ainda assim, segundo ele, o custo menor costuma compensar o processo mais longo.

“O CDC é mais simples, a operação é mais rápida e tem menos exigências. O Finame exige alguns processos adicionais, mas quando o custo é mais atrativo vale a pena cumprir essas etapas”, disse.

Segundo o executivo, os transportadores já se adaptaram a esse modelo. “Hoje não vemos dificuldade. Os clientes entenderam que atender às exigências compensa pelo custo final”. Ele complementa que a diferença de spread costuma ser pequena, já que todas as instituições precisam considerar fatores como inadimplência, custo de risco e provisões.

“O que diferencia o banco de montadora são as campanhas conjuntas com a fábrica”, afirmou.

Esse tipo de parceria permite estruturar ofertas promocionais, como a taxa reduzida para o Accelo, algo que normalmente não aparece no portfólio de bancos comerciais.

“No final do dia, todos precisam equilibrar a conta e atender às exigências do Banco Central. Por isso, o sistema bancário brasileiro é bastante sólido”, disse.

Embora ainda não haja uma projeção oficial de quantos contratos poderão ser fechados até o encerramento do programa, previsto para maio, Larussa avalia que a reação inicial do mercado indica que o crédito voltou a destravar decisões de compra no transporte rodoviário de cargas.

Até o momento, o Banco Mercedes-Benz já fechou cerca de 400 contratos dentro do programa Move Brasil. Segundo a montadora, a iniciativa tem estimulado a antecipação de compras, especialmente porque o financiamento tem prazo previsto para terminar em maio.

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