A Rumo entrou em uma nova fase de maturidade operacional em 2025. A concessionária ferroviária controlada pela Cosan bateu recorde histórico de movimentação de cargas, mas o resultado do ano revela um ambiente logístico mais competitivo e com menor poder de precificação no transporte de commodities agrícolas.
A companhia transportou 84,2 bilhões de toneladas por quilômetro útil (TKU) em 2025, alta de 5,4% em relação ao ano anterior e o maior volume já registrado pela empresa. No quarto trimestre, o avanço foi ainda mais expressivo, com crescimento de 15%, para 22,9 bilhões de TKU.
O aumento do fluxo reflete principalmente o desempenho do agronegócio. A safra robusta no Centro-Oeste elevou a demanda por transporte de grãos e reforçou o papel da ferrovia no escoamento da produção até o porto de Santos — principal corredor logístico da companhia.
Mas o crescimento do volume não se traduziu integralmente em avanço da receita líquida caiu 0,6% no ano, para R$ 13,8 bilhões, pressionada por um ambiente comercial mais desafiador e por menores yields no transporte ferroviário. No quarto trimestre, a queda foi de 3%.
Segundo comunicado da empresa, a dinâmica de comercialização das commodities agrícolas reduziu a pressão logística esperada no sistema, o que obrigou a companhia a reposicionar sua estratégia comercial para defender participação de mercado.
Eficiência segura margens
Mesmo com preços mais baixos, a empresa conseguiu preservar rentabilidade. O EBITDA ajustado somou R$ 8 bilhões em 2025, avanço de 4%, enquanto a margem subiu para 57,9%, uma das mais altas do setor de infraestrutura logística no país.
A estratégia para sustentar o resultado foi ampliar eficiência operacional. A empresa reduziu em 6% os custos fixos unitários e aumentou a eficiência energética da operação em 3%, com trens mais longos e pesados e melhorias na infraestrutura ferroviária.
O lucro líquido ajustado chegou a R$ 2,09 bilhões, praticamente estável em relação ao ano anterior.
Disputa logística no agro
A perda relativa de poder de precificação ocorre em um momento em que o transporte ferroviário disputa espaço com rodovias e novas rotas logísticas.
No porto de Santos, principal saída para o agronegócio do Centro-Oeste, a participação da Rumo nas exportações de grãos foi de 54% em 2025, abaixo de níveis mais elevados registrados anteriormente.
A redução reflete uma base de comparação distorcida: em 2024, a quebra de safra no Centro-Oeste reduziu o volume total exportado e elevou momentaneamente a participação da ferrovia.
Ainda assim, o cenário aponta para um mercado logístico mais disputado, no qual operadores precisam equilibrar preço e ocupação da capacidade.
Diversificação de cargas
Um dos movimentos estratégicos da companhia para reduzir a dependência do agronegócio tem sido ampliar o transporte de outros produtos.
Em 2025, a Rumo registrou crescimento no transporte de celulose, bauxita e combustíveis líquidos, que passaram a ocupar maior parcela da capacidade ferroviária.
A diversificação ajuda a reduzir a volatilidade associada ao ciclo das commodities agrícolas e melhora a utilização da malha ferroviária ao longo do ano.
A aposta em expansão
A companhia manteve um ritmo elevado de investimentos. O capex somou R$ 6,1 bilhões em 2025, direcionado principalmente à expansão da capacidade ferroviária.
Entre os principais projetos está a Ferrovia do Mato Grosso, que já alcançou cerca de 80% de avanço físico e deve ampliar o acesso da empresa ao principal polo produtor de grãos do país.
Também avançaram obras de recapacitação da Malha Paulista e projetos para ampliar o acesso ferroviário ao porto de Santos.
Mesmo com o elevado nível de investimento, a empresa encerrou o ano com alavancagem controlada de 1,9 vez dívida líquida sobre EBITDA e mais de R$ 7,5 bilhões em caixa.
Durante o ano, a companhia captou R$ 3,8 bilhões no mercado para alongar o perfil da dívida e distribuiu R$ 1,5 bilhão em dividendos extraordinários aos acionistas.
O próximo ciclo
A perspectiva para os próximos anos segue atrelada à expansão do agronegócio brasileiro. As estimativas da companhia apontam que a produção de soja no país pode chegar a 183 milhões de toneladas na safra 2025/26, com exportações de até 115 milhões de toneladas.
Esse crescimento reforça o papel da ferrovia na logística agrícola — mas também evidencia um novo desafio para a Rumo: manter margens elevadas em um ambiente cada vez mais competitivo no transporte de grãos.



