Latam acelera retrofit de aeronaves no centro de manutenção de São Carlos

Modernização da frota de Airbus A319 mobiliza três bases de manutenção e amplia atividade do maior MRO da América do Sul

Por Valeria Bursztein, de São Carlos (SP)

O centro de manutenção da Latam em São Carlos (SP), considerado o maior da América do Sul, está executando parte relevante do programa de retrofit da frota de Airbus A319 da companhia, projeto que envolve a modernização de 37 aeronaves e deve ser concluído entre o fim deste ano e o início de 2027. Recentemente, a unidade entregou a sexta aeronave A319 retrofitada dentro desse programa.

A base paulista será responsável por 18 dessas aeronaves, enquanto as demais 19 serão modificadas em outros dois centros de manutenção do grupo, em Lima e Santiago. O programa começou em maio de 2025 e inclui uma série de melhorias na cabine, com foco na experiência do passageiro e na eficiência operacional.

“O principal ponto é a troca das poltronas por um modelo mais moderno, com entradas USB e mais espaço para itens pessoais”, afirma Marcos Melchiori, gerente sênior do Latam MRO de São Carlos. Segundo ele, o retrofit também inclui troca de carpetes, renovação dos sanitários e substituição da iluminação por sistemas de LED.

As novas poltronas são mais leves e finas, o que ajuda a melhorar a eficiência da aeronave ao reduzir peso total. Embora a configuração permaneça com 144 assentos, a mudança permite ajustes no espaçamento entre as fileiras, especialmente nas áreas premium da cabine.

A execução do retrofit é planejada, sempre que possível, para coincidir com paradas de manutenção programadas das aeronaves. A estratégia busca reduzir o tempo de indisponibilidade do avião, considerado o ativo mais caro da operação aérea.

“O ideal é aproveitar uma parada já necessária para a manutenção preventiva e executar o retrofit ao mesmo tempo”, diz Melchiori. “Mas isso depende da velocidade com que a companhia quer executar o programa.”

Crescimento após a pandemia

O programa de modernização ocorre em meio a uma expansão recente do centro de manutenção de São Carlos, que vem ampliando sua capacidade desde a pandemia.

A unidade conta atualmente com cerca de 2,4 mil profissionais — aproximadamente 1,5 mil dedicados à manutenção de aeronaves e outros 500 à manutenção de componentes. O restante atua em áreas de apoio.

Nos últimos anos, o complexo ganhou um novo hangar, conhecido como Hangar 9, que permitiu a criação de duas novas linhas de produção: uma voltada para aeronaves de grande porte (widebody) e outra para aviões de corredor único (narrowbody).

Foi nessa estrutura que o centro realizou recentemente seu primeiro grande cheque de manutenção em um Boeing 787, marco importante para ampliar o escopo de serviços realizados no Brasil.

Cadeia e mão de obra

Apesar da expansão, o setor ainda enfrenta desafios globais relacionados à cadeia de suprimentos e à formação de mão de obra especializada.

Para lidar com a escassez de profissionais, a Latam criou uma escola própria de mecânicos em São Carlos, com cursos certificados pela Agência Nacional de Aviação Civil (Anac). A iniciativa inclui treinamentos práticos com estruturas reais de aeronaves e simulações de cockpit.

“A disponibilidade de mão de obra não tem acompanhado o crescimento da indústria”, afirma Melchiori. “Por isso decidimos investir diretamente na formação de profissionais.”

A empresa também tem investido em ferramentas digitais e inteligência artificial para melhorar o planejamento de estoque e antecipar a demanda por peças, muitas delas importadas.

“Usamos dados históricos para prever quais materiais vamos precisar nas próximas semanas ou meses. Isso ajuda a reduzir riscos em um cenário global de suprimentos ainda desafiador”, diz.

Base estratégica

Instalado em um aeroporto próprio da companhia, o centro de São Carlos também se beneficia de maior autonomia para planejar sua expansão. O aeroporto foi internacionalizado para receber aeronaves destinadas à manutenção, o que permite que aviões do grupo cheguem diretamente ao local sem passar por outros terminais.

Após uma sequência de investimentos e expansão desde a pandemia, novos projetos ainda estão em avaliação.

“São Carlos vem de um crescimento muito importante nos últimos anos”, afirma Melchiori. “A tendência é que esse movimento continue, mas ainda não temos nada concreto para anunciar.”

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