Venda de caminhões novos recua 27% no 1º bi

O resultado indica que o programa Move Brasil ainda não se traduziu em crescimento dos licenciamentos

Aline Feltrin

O mercado brasileiro de caminhões encerrou fevereiro ainda sem reação consistente ao programa Move Brasil. Apesar da expectativa criada pelo pacote de estímulo à renovação de frota, os dados de emplacamentos mostram retração expressiva tanto na comparação anual quanto no acumulado do ano.

Em fevereiro foram licenciados 6.611 caminhões, alta de 3,73% sobre janeiro, quando 6.373 unidades foram registradas . A leve recuperação mensal, porém, não altera o quadro geral. Frente a fevereiro de 2025, quando 8.716 unidades foram emplacadas, o tombo é de 24,15% . Os dados são da Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores (Fenabrave), divulgados nesta quarta-feira (4).

No acumulado de janeiro e fevereiro, o mercado soma 12.984 caminhões, contra 17.847 unidades no mesmo período do ano passado, retração de 27,25% . O resultado indica que, até o momento, o programa ainda não se traduziu em crescimento efetivo dos licenciamentos.

O presidente da Fenabrave, Arcelio Alceu dos Santos Junior, avalia que o segmento de caminhões é historicamente mais sensível às condições macroeconômicas, especialmente ao custo do crédito. Segundo ele, “o ambiente de juros elevados segue limitando a tomada de financiamento, o que explica a retração mais acentuada do setor frente a outros segmentos automotivos.”

Apesar do desempenho ainda fraco nos registros, as montadoras relatam aquecimento nas concessionárias. A Mercedes-Benz, por exemplo, já comercializou 400 caminhões dentro do Move Brasil, informou o vice-presidente de vendas e marketing caminhões e ônibus da marca, Jefferson Ferrarez. “Há um movimento claro de antecipação de compras, impulsionado pelo prazo de encerramento do programa, previsto para o fim de abril, e pela expectativa de manutenção dos juros em patamar elevado no segundo semestre.”

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A Agência Transporte Moderno apurou que outras fabricantes também começaram a divulgar números preliminares de adesão ao programa. A Iveco informou cerca de 300 operações fechadas, a Scania aproximadamente 280 contratos e a DAF 117 financiamentos nesta fase inicial. Os volumes indicam que existe demanda represada e interesse pelo crédito subsidiado. No entanto, essa movimentação ainda está concentrada em vendas diretas e faturamentos às redes, não se refletindo integralmente no varejo nem nos dados de emplacamento do primeiro bimestre.

Efeitos no fim de março

Até o momento, o programa já liberou cerca de R$ 4,2 bilhões em crédito para aquisição de veículos, segundo dados divulgados pelo governo federal. O vice-presidente e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Geraldo Alckmin, tem articulado junto às instituições financeiras a estruturação de um fundo garantidor para ampliar o alcance do programa com a Petrobras e o Ministério dos Transportes. O objetivo é facilitar o acesso ao crédito, especialmente para pequenos e médios transportadores. O Move Brasil tem prazo previsto para terminar no fim de abril, o que também tem contribuído para a antecipação de decisões de compra.

Ferrarez pondera, contudo, que os efeitos ainda não aparecem com clareza nos dados de emplacamento devido ao intervalo entre faturamento e registro do veículo. No caso de cavalos mecânicos, o prazo médio é de um mês e meio a dois meses. Já veículos plataforma, que dependem da implementação de carroceria, podem levar até quatro meses para serem licenciados. A expectativa da marca é que os primeiros reflexos mais visíveis surjam a partir do fim de março, com abril apresentando números mais robustos.

Na avaliação do executivo, o principal obstáculo continua sendo o custo do crédito. Mesmo taxas entre 11% e 12% são consideradas elevadas para o financiamento de caminhões. Segundo ele, cada ponto percentual de redução pode representar impacto superior a R$ 100 mil no custo total de um veículo de cerca de R$ 700 mil ao longo do ciclo operacional. Hoje, a maior parte das vendas está ligada à renovação de frota, não à expansão, refletindo substituições que vinham sendo adiadas pelo alto custo financeiro.

Com isso, o mercado de caminhões segue em compasso de espera. A leve alta de fevereiro sobre janeiro não compensa a forte retração anual e do acumulado, e o setor aguarda que o Move Brasil comece, de fato, a aparecer nos números de emplacamentos antes do encerramento do programa.

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