Os desdobramentos do conflito no Oriente Médio já começam a gerar preocupação no setor de transporte de carga brasileiro. Para o professor de logística e transporte da Fundação Dom Cabral (FDC), Paulo Resende, o impacto mais imediato ocorre via preço do petróleo, que voltou a subir e já opera acima de US$ 80 o barril.
“O reflexo direto é o aumento potencial dos custos logísticos internos. O Brasil é um país rodoviarista, extremamente dependente do diesel. Qualquer alta relevante tem efeito multiplicador importante na economia”, afirma.
Segundo ele, ainda é cedo para dimensionar os efeitos sobre a logística externa brasileira, especialmente nas rotas internacionais usadas para exportação de granéis agrícolas. No entanto, no mercado doméstico, o sinal de alerta já está aceso. A atenção, agora, se volta para a capacidade da Petrobras de amortecer eventuais oscilações internacionais e definir a estratégia de repasse.
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Preço do diesel
Olivier Girard, diretor da Macroinfra Consultores, reforçou à Agência Transporte Moderno que a pressão sobre o petróleo já é visível e pode se intensificar caso o conflito afete diretamente o Estreito de Ormuz, corredor estratégico para o transporte global da commodity.
“Se permanecer o bloqueio ou ataques sistemáticos na região, parte relevante da oferta mundial pode ser comprometida, elevando ainda mais os preços”, diz.
Como o Brasil é importador relevante de diesel, a alta tende a atingir o mercado interno. Segundo Olivier, o repasse não deve ser imediato, pois ainda há estoques adquiridos a preços anteriores. “É uma decisão que talvez em duas semanas a gente consiga começar a ver o reflexo direto no frete, que é o tempo para toda a cadeia se estabilizar”, estima.
Ele ressalta que a velocidade desse movimento depende da política de preços da Petrobras, que passa pelo crivo do governo federal.
O diesel representa parcela substancial dos custos do transporte rodoviário no país, podendo variar entre 35% e 50% do valor total do frete, conforme a extensão das rotas. No curto prazo, em pleno pico da safra, a tendência é de repasse ao embarcador. Porém, se a volatilidade persistir no médio prazo, pode haver maior pressão sobre margens, sobretudo entre autônomos e pequenas transportadoras.
Ainda assim, a demanda externa por alimentos deve sustentar o escoamento agrícola, mesmo diante de custos logísticos mais elevados.
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