A DHL amplia seus investimentos no Brasil com foco em segmentos de maior valor agregado, como logística farmacêutica, e-commerce e cargas industriais especializadas.
A estratégia foi detalhada durante encontro realizado esta semana em São Paulo, que reuniu Andrew Williams, CEO da DHL Express Américas; Agustín Croche, CEO da DHL Supply Chain América Latina; e Erik Meade, CEO da DHL Global Forwarding América Latina. O encontro foi mediado por Fabrizio Sardelli Panzini, diretor de Government Affairs da Amcham.
Como parte desse movimento, o Brasil concentra cerca de um terço do plano regional de investimentos de €500 milhões da DHL para a América Latina entre 2023 e 2028, o equivalente a aproximadamente R$ 1 bilhão, voltado à ampliação da infraestrutura logística e ao fortalecimento de setores como saúde, e-commerce, tecnologia, automotivo e bens de consumo.

Os executivos reforçaram que o Brasil está entre os mercados prioritários do grupo, destacando fatores como a resiliência do mercado doméstico, a base industrial diversificada e a crescente demanda global por produtos brasileiros.
Segundo eles, as transformações do comércio internacional e a reorganização das cadeias produtivas vêm abrindo novas oportunidades para o país, especialmente diante das estratégias de regionalização e nearshoring adotadas por empresas multinacionais.
Ampliação da infraestrutura logística
Nesse contexto, a DHL amplia sua infraestrutura logística e sua capacidade operacional no país. Na divisão DHL Supply Chain, o Brasil absorverá cerca de um terço do plano regional de investimentos de €500 milhões previsto para a América Latina entre 2023 e 2028, equivalente a aproximadamente R$ 1 bilhão. Os recursos serão direcionados ao fortalecimento das operações voltadas aos setores de saúde, e-commerce, tecnologia, automotivo e bens de consumo.
Entre as iniciativas estão a modernização da frota refrigerada dedicada ao transporte de produtos farmacêuticos, com investimento estimado em R$ 100 milhões, além da expansão da DHL Fulfillment Network, rede compartilhada de armazenagem, distribuição e logística reversa voltada ao e-commerce.
A companhia também amplia suas operações logísticas em polos como Cajamar, em São Paulo, e Brasília, além de investir em automação, robótica colaborativa e tecnologia da informação para tornar as cadeias de suprimentos mais resilientes.
“O Brasil combina escala, demanda e conectividade regional como poucos mercados. A DHL Supply Chain está ampliando sua infraestrutura, automação e capacidades específicas por setor para ajudar clientes a vencer em um mundo mais complexo”, afirmou Agustín Croche, CEO da DHL Supply Chain América Latina.
Logística farmacêutica ganha prioridade
A logística farmacêutica aparece como um dos principais vetores de crescimento. Segundo os executivos, o setor de saúde exige cadeias logísticas cada vez mais especializadas, com controle rigoroso de temperatura, rastreabilidade e conformidade regulatória.
Nesse cenário, a DHL reforça a operação da DHL Health Logistics, divisão dedicada ao transporte e armazenagem de medicamentos, vacinas e insumos hospitalares.
“O setor de fármacos está em constante transformação e aumentando em complexidade. Isso exige parceiros logísticos especializados e com forte capacidade de integração”, afirmou Croche.
PMEs e e-commerce
Outro motor de expansão é o e-commerce internacional, especialmente entre micro, pequenas e médias empresas brasileiras. De acordo com dados apresentados pela DHL Express, o Brasil possui cerca de 22 milhões de MPMEs, mas menos de 1% delas exportam atualmente.
Para estimular a internacionalização dessas empresas, a companhia desenvolveu o Programa Acelera, em parceria com o Sebrae, que oferece capacitação, consultoria gratuita, suporte aduaneiro e acesso a informações de mercado.
“Estamos muito otimistas com o potencial do varejo e das exportações das pequenas e médias empresas brasileiras. Percebemos que há uma demanda crescente por diversificação de mercados, para além dos Estados Unidos”, afirmou Andrew Williams, CEO da DHL Express Américas.
A DHL Express também planeja investir cerca de R$ 118 milhões nos próximos anos para ampliar sua presença no país. Os recursos serão direcionados à expansão de gateways logísticos, ao fortalecimento da conectividade aérea doméstica e à abertura de aproximadamente 75 novas lojas até 2030.
“Para nós, o desafio é entender em profundidade as políticas aduaneiras e tarifárias de cada mercado para ajudar nossos clientes a navegar por essas regras e expandir suas operações internacionais”, afirmou Williams.
Brasil ganha relevância como hub logístico
Na avaliação da DHL Global Forwarding, as mudanças nas rotas comerciais globais também tendem a fortalecer o papel do Brasil como plataforma logística regional. Segundo Erik Meade, CEO da DHL Global Forwarding América Latina, o país passa a atuar cada vez mais como hub de redistribuição de cargas entre Ásia, Europa e mercados da América Latina.
Parte dessa estratégia se apoia na integração entre os aeroportos de Viracopos e Guarulhos. Enquanto Viracopos concentra operações de carga de grande volume e dimensões especiais, Guarulhos oferece conectividade por meio de voos de passageiros, formando um sistema logístico complementar capaz de reduzir tempos de trânsito e custos operacionais.
“Indústrias em crescimento no Brasil, de data centers e novas energias à manufatura avançada, avançam em ritmo acelerado e precisam de parceiros logísticos capazes de acompanhar essa velocidade”, afirmou Meade.
A companhia também vem ampliando investimentos em digitalização, visibilidade das operações e soluções multimodais para aumentar a eficiência no desembaraço aduaneiro e no planejamento logístico.
Geopolítica aumenta volatilidade do frete
Os executivos também comentaram os impactos das tensões geopolíticas sobre o transporte internacional. Segundo Erik Brenner, CEO da DHL Global Forwarding Brasil, os conflitos recentes no Oriente Médio já começam a provocar volatilidade nos fretes marítimos e aéreos.
“Estamos vendo fretes aumentando e armadores impondo novas taxas. Com o aumento do tempo de trânsito das cargas marítimas, muitos clientes acabam migrando para o transporte aéreo para evitar paralisações na produção”, afirmou Brenner.
Para atender a essa demanda, a empresa avalia ampliar sua capacidade aérea e reorganizar rotas internacionais. Entre as operações já disponíveis está um voo próprio que conecta Miami, Viracopos e Bogotá, operado com aeronaves Boeing 757 e 767.
Perspectivas para 2026
Para 2026, Croche resume o cenário global em três fatores principais: volatilidade, complexidade e instabilidade. Apesar disso, a avaliação é de que o Brasil está bem posicionado para ampliar sua participação nas cadeias globais de suprimentos.
“Esses fatores também criam oportunidades para cadeias de suprimentos mais resilientes e diversificadas”, avaliou Croche.
Williams se diz otimista. “O comércio sempre encontra uma maneira de fluir — quando surge uma barreira, ele encontra um caminho ao redor dela. Nosso papel é ajudar os clientes a descobrir esses caminhos”, afirmou Williams.



