A retomada da construção do ramal da Ferrovia Transnordestina entre Salgueiro (PE) e o Porto de Suape está assegurada pelo Ministério dos Transportes, que prevê a abertura de licitações dos primeiros lotes ainda em 2026.
Considerado um dos trechos mais estratégicos do projeto ferroviário nordestino, o segmento voltou à agenda federal após ser incorporado ao Novo Programa de Aceleração do Crescimento (PAC).
O ramal pernambucano havia sido anteriormente retirado do escopo operacional da concessionária e passou a depender diretamente de investimentos públicos para viabilização. A nova modelagem busca integrar a ferrovia aos principais corredores logísticos da região, ampliando o acesso ferroviário a Suape e diversificando as alternativas de escoamento de cargas.
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Transnordestina: a promessa é transformar a logística do Nordeste
Enquanto o trecho até Suape avança na fase preparatória, a Transnordestina iniciou em 2025 testes operacionais em parte da malha já concluída. O segmento liberado pela Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) possui 679 quilômetros entre São Miguel do Fidalgo (PI) e Acopiara (CE), passando por Salgueiro (PE).
Nesta etapa de comissionamento, composições formadas por duas locomotivas e 20 vagões transportam grãos, algodão, minérios, gesso e contêineres, com capacidade estimada de até 1 milhão de toneladas por ano. Segundo Alex Augusto Sanches Trevisan, diretor comercial e de terminais da Transnordestina Logística, os testes têm como objetivo validar infraestrutura, material rodante e fluxos logísticos antes da operação plena.
“O comissionamento será realizado nos terminais de Bela Vista e Iguatu, atendendo principalmente os fluxos ligados à produção de ração e às granjas da região, que possui um rebanho leiteiro relevante”, afirmou Trevisan em entrevista à edição 529 da revista Transporte Moderno(Veja aqui).
Projeto retomado após mais de 15 anos
Lançada originalmente em 2006, a Transnordestina previa 1.728 quilômetros de extensão, conclusão em 2011 e investimentos estimados em R$ 4,5 bilhões. O empreendimento, porém, enfrentou sucessivas revisões de escopo, restrições orçamentárias e disputas políticas, acumulando mais de 15 anos de atrasos.
O traçado foi posteriormente reduzido para cerca de 1.200 quilômetros, enquanto o orçamento total ultrapassou R$ 15 bilhões. Atualmente, o projeto conta com aproximadamente R$ 15 bilhões em investimentos, dos quais R$ 4,4 bilhões são provenientes do Governo Federal.
Parte relevante do financiamento ocorre por meio do Fundo de Desenvolvimento do Nordeste (FDNE), que prevê desembolsos de até R$ 1 bilhão por ano até 2027, garantindo a conclusão da primeira fase da ferrovia e sua chegada ao Porto do Pecém (CE).
O empreendimento é estruturado em dois ramais principais. O Ramal do Pecém, ligando Eliseu Martins (PI) ao porto cearense, apresenta cerca de 75% das obras concluídas. A primeira etapa operacional está prevista para 2027, com conclusão integral estimada para 2029, caso não ocorram novas interrupções.
Já o Ramal de Suape recebeu R$ 450 milhões do Novo PAC para elaboração de estudos técnicos e preparação das obras, etapa considerada essencial para viabilizar a futura licitação e execução do trecho.
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