A Mercedes-Benz já comercializou 400 caminhões dentro do programa Move Brasil, informou o vice-presidente de vendas e marketing caminhões e ônibus da marca, Jefferson Ferrarez, durante evento na concessionária De Nigris, neste sábado (28), em São Paulo, com a presença do vice-presidente e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Geraldo Alckmin.
Segundo o executivo, o programa tem gerado uma antecipação de compras, principalmente porque está previsto para terminar em maio. “Existe esse movimento porque o programa acaba e os juros no segundo semestre ainda devem permanecer elevados”, afirmou.
Ferrarez explicou que os efeitos do programa ainda não aparecem com clareza nos dados de emplacamento devido ao intervalo entre faturamento e registro do veículo. No caso de cavalos mecânicos, o prazo médio é de um mês e meio a dois meses. Já veículos plataforma, que dependem da implementação de carroceria, podem levar até quatro meses para serem emplacados. “Os primeiros reflexos devem começar a aparecer no fim de março. Abril e maio já devem trazer números mais interessantes”, projetou.
Juros ainda são desafio
Na avaliação do executivo, mesmo taxas entre 11% e 12% ainda são elevadas para o financiamento de caminhões. “Cada ponto percentual que cai ajuda, mas qualquer taxa acima de dois dígitos é alta. O ideal seria algo em torno de 7% ou 8% para deixar as contas mais equalizadas”, disse.
Ele citou que pequenas variações na taxa podem representar impacto superior a R$ 100 mil no custo total de um caminhão de aproximadamente R$ 700 mil, considerando todo o ciclo de operação do cliente.
De acordo com Ferrarez, a maior parte das vendas atuais está relacionada à renovação de frota, e não à ampliação. Segundo ele, muitas substituições vinham sendo postergadas devido ao alto custo financeiro.
“O que chamamos de antecipação, na verdade, são trocas que já deveriam ter acontecido e estavam sendo adiadas por causa do custo do crédito”, afirmou.
No caso da marca, as vendas dentro do programa estão distribuídas entre diferentes segmentos, com presença relevante nos extrapesados, mas também participação de outros modelos do portfólio. O executivo afirmou que ainda não há consolidação detalhada sobre o perfil dos compradores, já que parte das informações depende dos bancos operadores do financiamento.
Para ele, a criação de um mecanismo permanente de equalização de juros será fundamental para manter o ritmo de renovação após o fim do programa temporário. Caso contrário, o setor pode voltar a registrar postergação de investimentos diante de um cenário de crédito ainda caro.
Pequenos frotistas lideram adesão
De acordo com Marcello Larussa, diretor de marketing e vendas do Banco Mercedes-Benz, o perfil predominante entre os 400 contratos fechados é formado por pequenos operadores. “A maior concentração está no retail, que é o nosso varejo, formado por clientes menores, com operações de até R$ 4,5 milhões. Eles representam cerca de 60% do total”, afirmou. Os outros 40% correspondem a médios e grandes frotistas, que também passaram a aderir ao programa, embora ainda em menor proporção.
Segundo Larussa, o anúncio do Move Brasil provocou uma reação imediata na demanda por crédito. “Comparando o período anterior ao anúncio com o posterior, tivemos crescimento de 100% no volume de propostas submetidas ao crédito, especialmente entre pequenos frotistas. Costumamos dizer que o telefone voltou a tocar. Programas como esse movimentam toda a cadeia”, disse.



