O vice-presidente e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Geraldo Alckmin, afirmou na manhã deste sábado (28), na concessionária De Nigris, da Mercedes-Benz, em São Paulo, que o governo trabalha em duas frentes para viabilizar a continuidade do programa Move Brasil após o prazo previsto em medida provisória.
A estratégia envolve a estruturação de um funding permanente por meio de dois fundos: um ligado ao Ministério dos Transportes e outro em negociação com a Petrobras. Segundo o ministro, o objetivo é criar uma fonte estável de recursos para equalizar a taxa de juros nas operações de financiamento de caminhões.
“A nossa proposta é ter um programa permanente. Para isso, precisamos ter um funding para equalizar essa taxa de juros. É isso que estamos trabalhando com dois fundos”, declarou.
Alckmin reconheceu que o principal entrave para a renovação da frota continua sendo o custo financeiro. Embora a taxa básica de juros esteja em trajetória de acomodação, ele ponderou que patamares ainda em dois dígitos seguem elevados para bens de alto valor agregado, como caminhões. “Qualquer taxa acima de 10% é alta para financiar um bem durável”, afirmou.
A criação de um mecanismo permanente ganha força diante da rápida adesão ao programa. Em dois meses, já foram empenhados R$ 4,2 bilhões dos R$ 10 bilhões disponibilizados. Do total reservado aos caminhoneiros autônomos — R$ 1 bilhão —, cerca de R$ 115 milhões já foram utilizados, sendo R$ 48 milhões destinados à compra de seminovos.
Impacto para autônomos
Ao comentar críticas de que o programa ainda não teria produzido impacto relevante para os caminhoneiros autônomos, o ministro destacou que a política foi estruturada com três pilares para ampliar o acesso dos autônomos: redução da taxa de juros (de patamares próximos a 23% para cerca de 13%, podendo chegar a 12% com reciclagem do veículo antigo), reserva exclusiva de recursos para a categoria e possibilidade de financiamento também para caminhões seminovos, até Euro 5.
Outro eixo em estudo é o incentivo à retirada de caminhões antigos de circulação. Segundo Alckmin, cerca de 300 mil veículos com mais de 20 anos ainda operam no país. A ideia é oferecer condições mais vantajosas para quem aderir à reciclagem da frota, reforçando ganhos ambientais e de eficiência.
Para ele, a consolidação dos fundos é decisiva para que o Move Brasil deixe de ser uma medida emergencial e se torne uma política contínua de modernização da frota nacional.



