Queda dos fretes marítimos expõe fragilidade do mercado global

Tarifas spot recuam nas principais rotas globais, enquanto companhias ampliam cancelamentos de viagens para conter desequilíbrio entre oferta e demanda no transporte marítimo de contêineres

Redação

O mercado global de transporte marítimo de contêineres iniciou 2026 sob pressão, com nova rodada de queda nas tarifas spot nas principais rotas comerciais Este–Oeste e sinais crescentes de desequilíbrio estrutural entre oferta e demanda.

Após o Ano Novo Chinês, a combinação de demanda mais fraca e aumento pontual da capacidade disponível passou a desenhar um cenário mais complexo para armadores ao longo do ano.

O World Container Index (WCI), da consultoria Drewry, recuou 1% na semana encerrada em 19 de fevereiro, atingindo US$ 1.919 por FEU, acumulando a sexta queda semanal consecutiva. O movimento foi puxado principalmente pelas rotas transpacíficas e pelos serviços entre Ásia e Europa.

As tarifas spot entre Xangai e Nova York caíram 1%, para US$ 2.782/FEU, enquanto o frete entre Xangai e Los Angeles permaneceu estável em US$ 2.219/FEU. Já no corredor Ásia–Europa, os recuos persistem: o trecho Xangai–Roterdã caiu para US$ 2.109/FEU, e Xangai–Gênova registrou retração de 2%, para US$ 2.895/FEU.

Mesmo com enfraquecimento da demanda, capacidade cresce

Dados da plataforma Xeneta reforçam o diagnóstico de enfraquecimento estrutural do mercado. Em 19 de fevereiro, o frete médio spot entre o Extremo Oriente e a Costa Oeste dos Estados Unidos foi de US$ 1.889/FEU, enquanto a Costa Leste registrou US$ 2.688/FEU. Para o Norte da Europa, o valor médio ficou em US$ 2.251/FEU, chegando a US$ 3.363/FEU nas rotas para o Mediterrâneo.

Ao mesmo tempo, a oferta de capacidade segue elevada em parte das rotas estratégicas. Considerando a média móvel de quatro semanas iniciada em 16 de fevereiro, houve aumento de 2,7% na capacidade entre o Extremo Oriente e a Costa Oeste dos EUA e de 2,2% para a Costa Leste. Em contraste, o corredor Extremo Oriente–Norte da Europa registrou retração de 3,4%.

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Armadores ampliam cancelamentos

Diante do excesso de oferta, as companhias marítimas intensificaram o uso de blank sailings — cancelamentos programados de viagens — como mecanismo de ajuste operacional.

De acordo com o relatório Container Capacity Insight, da Drewry, foram anunciados 31 blank sailings para a semana iniciada em 23 de fevereiro nas rotas transpacíficas, volume significativamente superior ao observado em anos anteriores. Para o eixo Ásia–Europa e Mediterrâneo, estão previstos oito cancelamentos, influenciados tanto pela volatilidade do mercado quanto pela paralisação temporária de fábricas durante o Ano Novo Chinês.

A consultoria projeta continuidade da pressão baixista sobre os fretes nas próximas semanas.

Sobrecapacidade deve marcar 2026

Para analistas do setor, a atual queda das tarifas indica que o mercado se afastou do comportamento sazonal tradicional, que normalmente prevê recuperação da demanda antes do Ano Novo Chinês. Em 2026, os preços atingiram o pico mais cedo e passaram rapidamente a uma trajetória descendente.

O resultado é um setor que entra no novo ciclo enfrentando simultaneamente pressão sobre receitas, elevada entrega de novos navios e um ambiente geopolítico ainda instável — combinação que tende a manter os fretes marítimos sob volatilidade ao longo do ano.

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