Retrato do crédito caro: consórcio dobra de tamanho no país; entenda

Entre caminhões, modalidade salta de 4% para 8% das vendas e ganha espaço diante de juros elevados, segundo dados da associação que representa os bancos das montadoras

Aline Feltrin

O crédito caro redesenhou as formas de compra de caminhões em 2025. Com a Selic chegando a 15% ao longo do ano e maior seletividade dos bancos, o consórcio dobrou sua participação nas vendas de pesados, passando de 4% para 8%, segundo balanço da da Associação Nacional das Empresas Financeiras das Montadoras, Anef.

O avanço reflete a busca de transportadores e frotistas por alternativas menos onerosas no curto prazo. Diferentemente do financiamento tradicional, o consórcio permite diluir o investimento ao longo do tempo sem incidência de juros, embora não assegure a posse imediata do veículo. Em um ambiente de crédito restrito, a modalidade ganhou tração como estratégia de planejamento de frota.

O leasing também voltou a ganhar espaço entre caminhões e ônibus, com avanço de dois pontos percentuais na participação. Já o CDC (Crédito Direto ao Consumidor) manteve-se estável em 31%.

A principal retração ocorreu no Finame, cuja participação caiu de 31% para 22% nas vendas de pesados. O recuo indica menor protagonismo do crédito direcionado e maior dificuldade de acesso às linhas tradicionais, historicamente importantes para renovação e ampliação de frota.

O movimento sinaliza uma mudança estrutural no perfil de financiamento do setor de transporte, que passa a operar com maior diversificação de instrumentos de crédito em um cenário de juros elevados.

Leia mais

Montadoras abrem números iniciais de vendas no programa Move Brasil
Volvo investirá R$ 2,5 bilhões no Brasil até 2028 e projeta retração do mercado de caminhões em 2026
Shortline da Arauco vai retirar 190 caminhões por dia das rodovias e ampliar corredor de exportação

Juros recuam no fim do ano

Apesar da Selic em patamar elevado, a taxa média anual do financiamento de veículos caiu ao longo de 2025, encerrando o ano em 21,5%, ante 24,4% no início do período. Segundo Enilson Sales, presidente da Anef, campanhas comerciais dos bancos das montadoras ajudaram a reduzir spreads e oferecer condições mais atrativas a clientes de menor risco.

Ainda assim, a inadimplência do crédito para veículos subiu para 5,6%, alta de 1,4 ponto percentual em 12 meses, refletindo o ambiente macroeconômico mais apertado.

Panorama geral do crédito

No consolidado de veículos, o saldo da carteira de financiamento atingiu R$ 544,4 bilhões em 2025, crescimento de 12% sobre o ano anterior — acima da expansão de 10,2% do crédito total do Sistema Financeiro Nacional (SFN).

Os recursos liberados somaram R$ 283,4 bilhões, avanço de 3,5% frente a 2024. A pessoa física foi responsável pela maior parte da demanda, com R$ 281,4 bilhões concedidos via CDC, dos quais R$ 222,7 bilhões correspondem ao consumo das famílias.

Para 2026, a Anef projeta expansão moderada de 3,9% nos recursos liberados para financiamento de veículos. A expectativa é de crescimento cauteloso, com manutenção da seletividade na concessão de crédito — e maior competição entre modalidades como consórcio e leasing, que vêm ampliando espaço especialmente entre os pesados.

Fique por dentro de todas as novidades do setor de transporte de carga e logística:
Siga o canal da Transporte Moderno no WhatsApp
Acompanhe nossas redes sociais: LinkedInInstagram e Facebook
Inscreva-se no canal do Videocast Transporte Moderno

Veja também