Financiamento de caminhões inicia o ano em queda de 2,6%, diz B3

Recuo é puxado por tombo de quase 30% nos veículos novos, enquanto usados avançam 16,7% e ampliam participação

Aline Feltrin

O financiamento de caminhões somou 17.131 unidades em janeiro de 2026, queda de 2,6% em relação às 17.585 operações registradas no mesmo mês de 2025, segundo dados da B3, operadora do Sistema Nacional de Gravames (SNG), analisados por Transporte Moderno.

O desempenho foi influenciado pela forte retração nas operações com veículos novos, que recuaram 29,3% na comparação anual, passando de 7.373 para 5.216 unidades. Em sentido oposto, os caminhões usados avançaram 16,7%, de 10.212 para 11.915 unidades.

Com isso, os usados ampliaram sua participação no total financiado, respondendo por cerca de 70% das operações com crédito no mês, ante 58% um ano antes.

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Modalidades

O Crédito Direto ao Consumidor (CDC) segue como principal modalidade de financiamento no segmento. Entre os caminhões novos, foram 3.873 unidades financiadas via CDC em janeiro, ante 5.728 no mesmo mês de 2025. No caso dos usados, a modalidade avançou de 8.477 para 9.720 operações.

O consórcio apresentou retração no financiamento de novos, de 1.069 para 868 unidades, mas cresceu entre os usados, passando de 1.465 para 1.758 operações.

Leasing e reserva de domínio mantêm participação menor no mix de crédito, embora a reserva de domínio tenha avançado no financiamento de usados, de 214 para 367 unidades.

Mudança no perfil da demanda

A abertura do ano indica um movimento de maior seletividade nas decisões de investimento em veículos zero-quilômetro, enquanto o mercado de usados ganha espaço como alternativa de menor desembolso inicial e menor comprometimento financeiro.

O recuo nos novos ocorre em um ambiente ainda marcado por cautela macroeconômica e custo de aquisição elevado, enquanto a expansão dos usados reflete a necessidade de renovação da frota em bases mais ajustadas à capacidade de crédito das transportadoras e dos autônomos.

A dinâmica reforça a tendência de migração do financiamento para veículos seminovos e usados em momentos de maior restrição financeira, mantendo o volume total relativamente estável, ainda que com mudança relevante na composição das operações.

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