EUA estudam taxa sobre cargas transportadas em navios estrangeiros

Maritime Action Plan prevê cobrança por quilo importado em embarcações não construídas no país e pode gerar até US$ 1,5 trilhão em dez anos

Valeria Bursztein

A administração do presidente Donald Trump apresentou o “America’s Maritime Action Plan”, proposta que prevê a criação de uma taxa sobre cargas importadas para os Estados Unidos a bordo de navios não construídos no país. A iniciativa, reportada pela consultoria Alphaliner, integra uma estratégia voltada ao fortalecimento da indústria naval norte-americana.

O plano propõe um gravame universal aplicável a cargas transportadas em embarcações construídas no exterior. Como a maior parte da frota mundial de porta-contêineres foi produzida fora dos Estados Unidos, a medida teria alcance praticamente global, com exceção de um número reduzido de navios atualmente construídos e operados sob jurisdição americana.

O valor da taxa ainda não foi definido. O documento apresenta dois cenários de referência: uma cobrança de US$ 0,01 por quilograma de carga, que poderia gerar US$ 66 bilhões em dez anos, e outra de US$ 0,25 por quilograma, com arrecadação estimada em até US$ 1,5 trilhão no mesmo período.

Segundo estimativas citadas, o impacto por serviço regular com destino aos Estados Unidos poderia variar de centenas de milhares a vários milhões de dólares, dependendo do nível adotado.

Segundo estimativas citadas, o impacto por serviço regular com destino aos Estados Unidos poderia variar de centenas de milhares a vários milhões de dólares, dependendo do nível adotado.

Para países com forte intercâmbio comercial com os Estados Unidos, a medida pode ter reflexos relevantes sobre os fluxos logísticos. No caso do Brasil, o comércio bilateral totalizou cerca de US$ 83 bilhões em 2025, segundo monitoramentos da Amcham Brasil.

O transporte marítimo permanece como principal modal nas trocas entre os dois países, o que indica que eventual taxação sobre cargas transportadas em navios não construídos nos Estados Unidos poderia afetar custos de frete e cadeias de suprimento ligadas ao eixo Brasil–EUA.

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Impacto sobre rotas e cadeias logísticas

O patamar mais elevado superaria as taxas anunciadas em outubro passado pelo Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR) contra proprietários e operadores de navios construídos na China, que foram posteriormente suspensas.

Para evitar redirecionamento de cargas a portos do Canadá ou do México como forma de contornar a nova tarifa, o plano também menciona a criação de um imposto terrestre complementar.

A proposta foi elaborada após ordem executiva assinada em abril de 2025, que determinou a formulação de um programa marítimo nacional. O documento está estruturado em quatro eixos: reconstrução da capacidade de construção naval nos Estados Unidos; ampliação da formação e capacitação de trabalhadores marítimos; fortalecimento de políticas comerciais e de compras federais para estimular a demanda por navios construídos e registrados no país; e medidas relacionadas à segurança nacional e econômica.

Entre as iniciativas previstas está a ampliação da parcela de cargas governamentais transportadas em navios de bandeira norte-americana, atualmente fixada em 50%. O plano também propõe a criação do US Maritime Preference Requirement (USMPR), exigência que poderá levar grandes economias exportadoras a aumentar progressivamente a participação de navios americanos no transporte de cargas conteinerizadas destinadas aos Estados Unidos.

Outra frente envolve o financiamento para a construção e operação de uma Strategic Commercial Fleet (SCF), composta por navios construídos e registrados nos Estados Unidos para atuação no comércio internacional, além de iniciativas voltadas ao desenvolvimento de rotas no Ártico.

O documento, no entanto, não define cronograma de implementação e indica que as medidas dependerão de aprovação legislativa para entrar em vigor.

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