O Porto de Santos encerrou 2025 com o melhor resultado de sua história ao movimentar 186,4 milhões de toneladas, crescimento de 3,6% em relação ao recorde anterior, registrado em 2024. O avanço ocorre em um cenário de expansão da movimentação portuária no Sudeste, que somou 635,3 milhões de toneladas entre janeiro e novembro do último ano, alta de 6,01% sobre o mesmo período de 2024.
Os números consolidam a região como principal eixo portuário do país e reforçam o peso do Porto de Santos, maior da América Latina, na balança comercial brasileira. O desempenho, no entanto, também evidencia limites estruturais na logística de acesso, especialmente no Sistema Anchieta-Imigrantes (SAI), responsável por conectar o planalto à Baixada Santista.
Logística preocupa
A movimentação recorde tem sido acompanhada pela Federação das Empresas de Transporte de Cargas do Estado de São Paulo (Fetcesp).
“O Porto de Santos mais uma vez demonstra sua força e capacidade operacional. Mas quem vive o dia a dia da operação sabe que cada tonelada movimentada exige um esforço logístico enorme”, afirmou Roseneide Fassina, vice-presidente regional da Fetcesp e presidente do Sindicato das Empresas de Transporte Comercial de Carga do Litoral Paulista.
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Sistema Anchieta-Imigrantes: pressão e filas
Segundo Fassina, o crescimento dos volumes amplia a pressão sobre os acessos viários, com impacto direto na mobilidade regional e no custo das operações.
“Temos picos de circulação que impactam diretamente a mobilidade da região. Em determinados momentos do dia, chegam a passar mais de 600 caminhões por hora pelo sistema. Isso não significa que todos estejam indo para o porto, mas a pressão sobre a infraestrutura é real e constante”, disse a dirigente.
Ela acrescenta que caminhões que chegam antes do horário agendado acabam aguardando em filas, o que eleva custos operacionais e afeta a cadeia logística.
Elo de conexão entre porto e estado
Na prática, o transporte rodoviário de cargas (TRC) segue como principal elo de conexão do Porto de Santos com o interior paulista e com os principais polos produtivos do país. Qualquer interrupção no fluxo impacta diretamente prazos de embarque, produtividade dos terminais e custos de exportadores e operadores logísticos.
Segundo a federação, o desafio vai além dos acessos viários e envolve também capacidade estática de pátios, organização de agendamento e infraestrutura de apoio, que precisam acompanhar o ritmo de crescimento da movimentação.
Integração ferroviária
Para a entidade, a ampliação da intermodalidade pode reduzir parte da pressão sobre o sistema rodoviário e melhorar a eficiência logística.
“Se tivéssemos maior integração ferroviária com o transporte rodoviário de cargas, reduziríamos parte dessa pressão sobre os acessos e aumentaríamos a eficiência do sistema como um todo. A integração multimodal traz benefícios econômicos e ambientais”, afirmou Fassina.
Ampliação da poligonal
A Fetcesp também defende a ampliação da área do Porto de Santos como medida estrutural para sustentar o crescimento de longo prazo.
“Hoje temos um complexo de 7,8 milhões de metros quadrados, mas, com a inclusão das áreas perimetrais na poligonal do porto, esse espaço poderia chegar a 20,4 milhões de metros quadrados. Essa ampliação é fundamental para garantir capacidade futura e evitar que o crescimento se transforme em gargalo”, concluiu a dirigente.
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