JAC Motors entra na disputa por caminhões a gás no Brasil; conheça a estratégia

Caminhões a gás da JAC chegam ao Brasil “pelas mãos” da importadora Green Cargo e com modelo de negócio completo: venda, locação, manutenção e abastecimento personalizado para frotistas

Aline Feltrin

A JAC, fabricante chinesa de veículos comerciais, iniciou sua operação de caminhões pesados a gás no Brasil, em uma ofensiva liderada pela importadora Green Cargo. Leandro Gedanken, diretor de operações, disse à reportagem da Transporte Moderno que os caminhões movidos a gás natural comprimido (CNG) ou liquefeito (LNG) já estão em testes no país, rodando cerca de 200 mil km em operações reais. As experiências incluem transporte de madeira para celulose e trajetos entre o interior paulista e o Porto de Santos.

“Não estamos apenas vendendo caminhões. Queremos oferecer uma solução completa: veículo, manutenção e acesso a fornecedores de gás, garantindo viabilidade técnica e econômica”. O executivo detalha que cada cliente recebe um estudo personalizado considerando rotas, disponibilidade de combustível e volume transportado, assegurando que o TCO (custo total de operação) seja competitivo frente ao diesel.

O modelo Q7, disponível nas versões 6×2 e 6×4, é importado da China e vem equipado com o motor de 560 cv e torque de 265 kgfm (2.600 Nm). A autonomia varia de 700 a 900 km com GNV, podendo chegar a quase 2.000 km com GNL. Para o mercado brasileiro, o caminhão recebeu ajustes na caixa automatizada, calibração e homologação, permitindo tracionar até 74 toneladas — acima das 48 toneladas do modelo original na China.

(Divulgação: Green Cargo)

No mercado chinês, a JAC detém cerca de 25% do segmento de caminhões pesados a gás, com destaque para o uso de GNL em longas distâncias. A marca é um dos cinco maiores fabricantes chineses de caminhões a gás.

A Green Cargo opta por operar diretamente com o cliente em modelo B2B, sem depender de concessionárias. Um centro de distribuição de peças em Cajamar (SP) e estoques próximos às operações garantem suporte rápido — garante o representante da empresa.

Apesar de o mercado brasileiro de caminhões a gás ainda contar com apenas um player consolidado, a Scania, com uma frota circulante de cerca de 2 mil unidades, Gedanki projeta vendas ou locações de 150 a 200 caminhões para 2026, com foco inicial no setor agroindustrial, transportando produtos de Mato Grosso para os portos de Santos e Paranaguá.

“Nosso diferencial é entregar um caminhão tão potente quanto um diesel, com mais autonomia e preço entre 8 e 10% mais competitivo que o da concorrência”

A operação se apoia na infraestrutura de fornecedores de gás já existentes, garantindo abastecimento contínuo. Embora ainda não haja produção nacional, a possibilidade de fabricação local depende da aceitação do mercado.

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Expansão da JAC e operação própria

Além da importação de caminhões elétricos e, agora, a gás, a JAC anunciou recentemente sua entrada direta no mercado brasileiro de caminhões a diesel, com operação própria e plano de instalar uma fábrica até 2027.

O lançamento oficial da marca contou com apresentação de produtos, estratégia comercial e projeções de expansão. Inicialmente, quatro modelos importados da China — de 9, 13, 17 e 25 toneladas — estarão disponíveis. Três deles já foram homologados; o modelo de 13 toneladas aguarda apenas o certificado final.

A rede comercial deve ganhar escala a partir de 2026, com 18 grupos de concessionários, totalizando entre 30 e 40 lojas. Em 2027, mais 30 pontos devem ser adicionados, chegando a cerca de 60 concessionárias. Os veículos chegam pelo porto de Itajaí (SC), com prazo logístico estimado em 90 dias, e a previsão mínima é de 700 unidades importadas no primeiro ano.

A futura fábrica no Brasil permitirá montagem CKD (veículos totalmente desmontados) ou SKD (parcialmente desmontados), aumentando o índice de nacionalização e possibilitando financiamentos por bancos públicos.

Diferentes estados, como Goiás, Espírito Santo, Paraná e regiões do Nordeste, apresentaram propostas de incentivos. “Vamos buscar a melhor proposta para iniciar o quanto antes. A montagem será nossa, não de terceiros”, afirmou Adriano Chiarini, diretor comercial da operação própria, à época.

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