O número de acidentes nas rodovias federais brasileiras caiu 5% em 2025 na comparação com 2024. As reduções também atingiram os feridos graves (-6%) e as vítimas fatais (-4%). Os dados, divulgados nesta semana pela Fundação Dom Cabral (FDC) e analisados por Transporte Moderno, mostram melhora nos indicadores gerais, mas revelam que os acidentes envolvendo caminhões continuam entre os mais severos da malha federal.
Em 2025, foram registrados 411.653 acidentes nas rodovias federais. Os caminhões rígidos responderam por 45.181 ocorrências, o equivalente a 10,98% do total. Já os cavalos mecânicos somaram 57.463 registros, representando 13,96% das ocorrências.
Quando o recorte é feito pela taxa de severidade dos acidentes — indicador que considera a gravidade das vítimas —, os veículos de carga ganham maior relevância proporcional. Os caminhões concentram 10,56% da taxa de severidade, enquanto os caminhões-trator representam 11,79%. Juntos, os dois segmentos respondem por aproximadamente um quarto dos acidentes mais graves nas rodovias federais.
Embora os automóveis liderem em volume absoluto, com 42,27% dos acidentes (173.994 ocorrências), e as motocicletas representem 22,34% do total, a gravidade associada aos veículos pesados permanece elevada, reflexo da massa transportada e do impacto potencial das colisões envolvendo cargas.
Outro ponto de atenção é o avanço da participação das motocicletas nos acidentes de maior gravidade e fatais. As motos respondem por 28,04% da taxa de severidade, proporção superior à sua participação no número total de acidentes.
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Pista simples e período diurno concentram maior gravidade
A análise da FDC indica que, mesmo com a redução geral das ocorrências em 2025, a combinação mais associada a acidentes graves no país continua sendo pista simples, trecho reto e período diurno — cenário típico de boa parte das operações de transporte rodoviário de cargas no Brasil.
A predominância de rodovias de pista simples na malha federal, somada ao alto fluxo de veículos leves e pesados durante o dia, mantém elevado o risco estrutural nesses trechos.
Carnaval pressiona fluxo
Com a proximidade do Carnaval, período tradicionalmente marcado por aumento significativo do fluxo nas estradas, especialistas avaliam que pode haver pressão sazonal sobre os indicadores, especialmente em corredores logísticos que concentram transporte de cargas e deslocamentos turísticos.
Apesar da melhora nos números de 2025, os dados reforçam que a redução estrutural da gravidade dos acidentes depende de avanços em duplicação de rodovias, fiscalização, engenharia viária e políticas voltadas à convivência segura entre veículos leves, motocicletas e caminhões.
Para o setor de transporte, o recorte indica que segurança operacional seguirá no centro da agenda, sobretudo em um cenário de retomada gradual do fluxo rodoviário e manutenção de gargalos históricos de infraestrutura.
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