A Volvo anunciou um novo ciclo de investimentos de R$ 2,5 bilhões no Brasil entre 2026 e 2028, o maior volume já aplicado pela companhia no país desde o início da produção de veículos comerciais em Curitiba (PR), em 1979.
O aporte será destinado à pesquisa e desenvolvimento, modernização industrial, ampliação da rede de concessionárias e expansão da oferta de serviços e soluções financeiras, em um momento em que a montadora projeta um mercado menor de caminhões em 2026, pressionado pelo custo do crédito e pelo cenário macroeconômico.
A previsão da empresa é que o mercado de caminhões semipesados e pesados registre queda entre 5% e 10% em 2026, mantendo o ambiente de retração observado em 2025.
“Os juros altos encarecem o crédito e desestimulam as compras e a renovação das frotas. É um fator crucial que está freando o crescimento das empresas de transporte, inclusive reduzindo a sua competitividade”, afirmou Wilson Lirmann, presidente do Grupo Volvo América Latina, durante coletiva de imprensa realizada pela montadora.
Segundo o executivo, apesar da conjuntura desafiadora, a Volvo manterá sua estratégia de longo prazo, com foco em produtividade, segurança e descarbonização. “Temos uma visão de longo prazo. Independente da conjuntura atual, o Brasil é um mercado estratégico para a Volvo. Por isso, estamos fazendo um novo ciclo de investimentos, desta vez de R$ 2,5 bilhões, o maior de nossa história no país”, disse Lirmann.
De acordo com a companhia, o novo ciclo de investimentos seguirá alinhado ao avanço tecnológico global da marca, com foco em conectividade, segurança e novas soluções de propulsão. A Volvo citou o desenvolvimento de caminhões compatíveis com B100, modelos a gás e o avanço gradual da eletromobilidade na região.
“Não podemos parar. O setor de transporte demanda soluções para mais segurança, mais produtividade, mais eficiência energética. A sociedade demanda a questão de descarbonização”, afirmou Wilson Lirmann, presidente do Grupo Volvo América Latina.
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Juros, fiscal e agronegócio moldam 2026
Ao comentar as perspectivas para este ano, Lirmann apontou fatores positivos, como nível elevado de emprego, resiliência do consumo e o volume de cargas gerado pelo agronegócio, após uma safra recorde em 2025. O executivo citou ainda a desaceleração da inflação como elemento que pode abrir espaço para a redução da taxa de juros.
Por outro lado, ressaltou que a rentabilidade do setor agropecuário permanece pressionada por custos elevados e pela valorização do real, além do aumento das incertezas em um ano eleitoral.
O principal ponto de atenção, segundo ele, é a trajetória fiscal do país. “Saímos nos últimos três anos de uma relação de dívida PIB de 71% para 84%. Essa trajetória é preocupante. Esse é o principal tema que inclusive acaba impactando a taxa de juros”, afirmou Wilson Lirmann, presidente do Grupo Volvo América Latina.
Liderança no Brasil
Mesmo com retração do mercado em 2025, a Volvo encerrou o ano na liderança em caminhões acima de 16 toneladas no Brasil, com 20.053 unidades emplacadas, o equivalente a 23% de participação de mercado, segundo números da Fenabrave.
De acordo com Alcides Cavalcanti, diretor executivo da Volvo Caminhões, o mercado acima de 16 toneladas registrou queda de cerca de 11% em 2025, com comportamento distinto entre segmentos: enquanto o mercado de pesados recuou 20%, o segmento de semipesados cresceu 5,5%.
“Mesmo com essa queda de mercado, conseguimos manter o market share acima de 23% e manter nossa liderança de mercado em caminhões novos emplacados”, disse Alcides Cavalcanti, diretor executivo da Volvo Caminhões.
No segmento de pesados, a montadora registrou um desempenho ainda mais expressivo. Segundo o executivo, a Volvo encerrou 2025 com 31% de participação, o melhor resultado em dez anos.
“Ou seja, mesmo em um mercado em queda, os nossos clientes preferiram os caminhões pesados Volvo”, afirmou Alcides Cavalcanti, diretor executivo da Volvo Caminhões.
FH 540 lidera entre os pesados
O Volvo FH 540 foi novamente o destaque da marca no Brasil. O modelo foi o caminhão pesado mais vendido do país pelo sétimo ano consecutivo, com 5.403 emplacamentos em 2025. Na sequência, outro modelo da marca ficou em segundo lugar no ranking do segmento pesado: o FH 460, com 3.613 unidades.
No segmento de semipesados, o Volvo VM 290 foi o modelo mais vendido do país em 2025, com 4.320 emplacamentos, segundo a Fenabrave. Com isso, a montadora terminou o ano com três modelos entre os quatro caminhões mais vendidos no Brasil, considerando todas as categorias.
“Terminamos o ano com três modelos Volvo entre os quatro caminhões mais vendidos no País: FH 540 (líder em pesados), FH 460 (vice-líder em pesados) e VM 290 (líder em semipesados)”, afirmou Alcides Cavalcanti, diretor executivo da Volvo Caminhões.
Ainda de acordo com o executivo, a Volvo também colocou o VM 360 na sétima posição do ranking, totalizando quatro modelos no top 10.
Outro indicador destacado pela montadora foi o desempenho da rede de seminovos. Em 2025, foram vendidos 2.669 caminhões, maior volume registrado em 29 anos de atuação da Volvo no segmento.
Segundo a empresa, o resultado representa um crescimento de 50% sobre 2024, acima da média do mercado de pesados seminovos, que avançou 7% no período.
América Latina
Na América Latina, a Volvo totalizou 25.665 caminhões emplacados em 2025, considerando Brasil e demais mercados, o que representou queda de 6% frente a 2024. Ainda assim, a empresa manteve liderança no Brasil e também no Peru, onde registrou 2.414 caminhões emplacados e 21% de participação de mercado.
No Chile, a montadora foi vice-líder, com 1.621 unidades e 19% de participação. Já na Argentina, o avanço foi expressivo: a Volvo emplacou 1.185 caminhões, alta de 190% sobre o ano anterior.
A empresa também iniciou exportações para o México, com 80 caminhões entregues no primeiro ano de operação.
Volvo Financial Services cresce
A Volvo Financial Services (VFS) encerrou 2025 com carteira de R$ 24 bilhões, sustentada por crescimento de 12% na participação das vendas da marca na região, segundo Silvia Gerber, presidente da Volvo Financial Services na América Latina.
Segundo a executiva, o Banco Volvo fechou 2025 com participação de 40% nas vendas de caminhões da marca. Do total, 45% das operações foram via Finame.
O consórcio também avançou, com crescimento de 6% e R$ 2,6 bilhões em novos créditos, além de carteira total de R$ 108 bilhões. Em seguros, a Volvo Financial Services registrou alta de 37% em itens segurados, com R$ 179 milhões em prêmios. A locadora Volvo também cresceu 15% em unidades locadas e fechou o ano com 1.150 unidades ativas.
Serviços avançam
A Volvo encerrou 2025 com avanço no portfólio de serviços e conectividade. A montadora registrou crescimento de 10% nos Planos de Serviço e atingiu 55 mil contratos ativos no Brasil.
A plataforma de conectividade Volvo Connect alcançou 22 mil contratos, enquanto a consultoria CIV (Condução Inteligente Volvo) somou 10 mil contratos, com foco na redução de consumo de combustível a partir de dados telemáticos. Segundo Cavalcanti, o serviço pode proporcionar economia de até 10% no consumo de diesel em operações monitoradas.
IA no trem de força e novos sistemas de segurança
Durante a coletiva, Cavalcanti apresentou atualizações da linha 2026, com foco em eficiência energética e segurança. Um dos principais destaques foi o I-Torque, tecnologia baseada em inteligência artificial aplicada ao conjunto motor e transmissão I-Shift, com torque variável conforme a demanda operacional.
A linha também incorpora recursos como controle de cruzeiro adaptativo (ACC), Start/Stop, frenagem automática de emergência, assistente de partida em rampa e sensores de ponto cego.
Outro lançamento foi a funcionalidade Safety Zone, dentro do Volvo Connect, que permite ao gestor de frota delimitar áreas com limite máximo de velocidade.
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