Ministro defende ferrovias como motor da integração nacional

Renan Filho afirmou que autorizações e revitalizações de malhas devem ampliar a capacidade de escoamento, reduzir caminhões nas rodovias e religar Mato Grosso do Sul à malha ferroviária brasileira

Valeria Bursztein

O ministro dos Transportes, Renan Filho, defendeu a expansão ferroviária como eixo estratégico para fortalecer a integração nacional e reduzir gargalos logísticos históricos do país. Segundo ele, o avanço do modal ferroviário deve ganhar protagonismo nos próximos anos, com projetos voltados ao aumento de capacidade de transporte de cargas, à redução de custos e à conexão mais eficiente entre pólos produtivos e corredores de exportação.

Como exemplo desse movimento, o ministro citou a shortline ferroviária da Arauco, em Mato Grosso do Sul, autorizada no novo marco legal do setor e estruturada para conectar uma operação industrial diretamente à malha existente. 

Para Renan Filho, iniciativas desse tipo tendem a diminuir a dependência do transporte rodoviário em longas distâncias e aumentar a segurança nas estradas. “O problema não é a ferrovia construída, a ferrovia é a solução. Vai reduzir caminhão nas estradas, reduzir o conflito, garantir mais segurança para as pessoas”, afirmou o ministro dos Transportes, Renan Filho, para a Transporte Moderno, na ocasião do lançamento da pedra fundamental da shortline da Arauco, em Inocência (MS).

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Shortlines ganham força

Renan Filho destacou que o novo regime de autorizações ferroviárias, inserido no Marco Legal das Ferrovias, tem potencial para transformar o setor ao abrir espaço para que projetos privados de curto alcance — como ramais que conectam polos produtores às malhas estruturantes — saiam do papel e se tornem infraestrutura real.

Segundo ele, a autorização reduz etapas burocráticas e dá mais previsibilidade ao investidor ao permitir que uma empresa construa e opere um ramal dedicado à sua carga, sem os rigores e custos associados aos modelos tradicionais de concessão.

“Com o novo marco, a autorização deixa de ser uma ideia e passa a ser trilho de crescimento. O modelo permite que empresas como a Arauco não só planejem, mas construam e operem o ramal que atende sua produção, conectando-se à malha maior e trazendo eficiência logística ao país. Simplifica o processo, reduz barreiras e atrai investimentos privados que o Brasil tanto precisa para ligar produtivos aos portos e ao mercado global”, afirmou o ministro dos Transportes, Renan Filho. 

Na avaliação do ministro, o formato deve incentivar novos projetos regionais, conectando áreas produtivas a malhas estruturantes e fortalecendo corredores logísticos de exportação.

Leilão da Malha Oeste em novembro

Ao tratar do planejamento ferroviário no Centro-Oeste, Renan Filho afirmou que o Ministério dos Transportes prevê realizar em novembro de 2026 o leilão de revitalização da Malha Oeste, considerado estratégico para reinserir Mato Grosso do Sul no sistema ferroviário nacional.

“Vamos fazer o leilão da revitalização da Malha Oeste, que vai significar a reintegração do Estado do Mato Grosso do Sul com a malha ferroviária nacional. Imagina ligar Campo Grande, Ribas, Três Lagoas à Malha Paulista”, afirmou o ministro dos Transportes, Renan Filho.

Segundo ele, a reconexão deve facilitar a atração de investimentos e ampliar a competitividade regional ao conectar o Estado a corredores com acesso aos portos e aos principais mercados consumidores.

Aporte de R$ 3 bilhões

O ministro detalhou que o governo federal prevê aportar até R$ 3 bilhões para viabilizar a recuperação da Malha Oeste, em um modelo de leilão estruturado para reduzir a dependência de recursos públicos. Nesse formato, venceria o concorrente que solicitasse o menor volume de aporte da União para executar as obras e retomar a operação ferroviária.

Segundo ele, a revitalização deverá reposicionar o corredor como rota logística estratégica para a indústria de base florestal, ao atravessar polos industriais como Ribas do Rio Pardo e Três Lagoas e estabelecer conexão com a Malha Paulista, ampliando a competitividade do escoamento ferroviário rumo ao Porto de Santos.

Bitola larga: capacidade, velocidade e eficiência

Renan Filho também afirmou que a modernização ferroviária depende de infraestrutura capaz de suportar maiores volumes e maior desempenho operacional. Segundo ele, a bitola larga permite ganhos de velocidade e capacidade de carga, além de melhorar a viabilidade econômica das operações.

“A bitola larga permite mais velocidade e maior carga. Isso garante mais segurança pras pessoas e viabilidade para o próprio trem”, disse o ministro dos Transportes, Renan Filho.

Projeto de Estado, mas “com competência de governo”

Na parte final da coletiva, Renan Filho respondeu a um questionamento da Transporte Moderno sobre a estabilidade da agenda regulatória em ano eleitoral e sobre o caráter estrutural do projeto. Disse estar “cem por cento” confiante no marco e sustentou que a política será um projeto de Estado, mas com ênfase em resultados de governo.

“Esse é um projeto de Estado, mas é também de governo. Porque os governos do passado não fizeram, porque erraram na condução das políticas públicas. E esse governo corrigiu”, afirmou. 

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