A Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) e uma delegação da Russian Railways (RZD) discutiram uma cooperação técnica voltada à modernização do setor ferroviário brasileiro. O encontro realizado em Brasília (DF) na semana passada reuniu representantes da diretoria da agência reguladora e Sergey Pavlov, primeiro vice-diretor da estatal russa, considerada uma das maiores companhias ferroviárias do mundo.
A reunião foi conduzida por Lucas Asfor, diretor da ANTT, e teve como foco a troca de experiências e a construção de parcerias em duas frentes: a implementação de tecnologia de monitoramento integrado para o transporte ferroviário e o desenvolvimento de programas de capacitação profissional para engenheiros e técnicos do setor.
Segundo a ANTT, a iniciativa busca aproximar o Brasil de modelos internacionais com alto grau de eficiência operacional e ampliar o repertório técnico para apoiar investimentos e aprimorar o desempenho das concessões ferroviárias.
“A ANTT busca absorver as melhores práticas internacionais para impulsionar os investimentos que estão sendo feitos no setor, visando dar tração aos novos projetos e aprimorar as concessões existentes”, afirmou Asfor.
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Escala e integração com portos
Durante o encontro, Pavlov apresentou indicadores que dimensionam a escala do sistema ferroviário russo. Segundo ele, a RZD transporta anualmente mais de 1,2 bilhão de toneladas de cargas e 1,3 bilhão de passageiros. No país, o modal ferroviário responde por cerca de 85% do transporte de cargas, percentual significativamente superior ao brasileiro, que oscila entre 15% e 20%.
Pavlov afirmou que parte do desempenho está associada a uma visão sistêmica da logística e ao uso de tecnologia para integrar o transporte ferroviário a outros modais. Segundo o executivo, a Rússia opera um Centro de Monitoramento Integrado capaz de controlar não apenas a circulação dos trens, mas também sua conexão com portos e com o transporte rodoviário.
A proposta apresentada à ANTT é apoiar o desenvolvimento de um modelo semelhante no Brasil, com monitoramento em tempo real e maior previsibilidade logística, garantindo que a chegada das composições ferroviárias aos portos ocorra alinhada à janela operacional dos navios, reduzindo gargalos e tempo de espera.
Capacitação técnica é prioridade
Outro eixo discutido na reunião foi a formação de profissionais especializados em engenharia e operações ferroviárias. Pavlov destacou que a Rússia mantém nove instituições de ensino superior dedicadas exclusivamente ao setor ferroviário, além de universidades corporativas ligadas à própria RZD.
Segundo o executivo, a empresa pode apoiar, em conjunto com países do BRICS, a criação de cursos de especialização e programas de capacitação técnica voltados ao mercado brasileiro, incluindo a possibilidade de estruturar uma universidade ferroviária no país.
Desafio histórico de integração
A discussão contou também com a participação de Fernando Feitosa, gerente de regulação ferroviária da ANTT, que destacou que o Brasil opera predominantemente sob concessões privadas, modelo diferente do adotado pela estatal russa, mas com desafios comuns na gestão e integração da infraestrutura.
“O Brasil possui hoje uma malha de cerca de 30 mil quilômetros e 16 concessões, mas enfrenta o desafio histórico da falta de integração entre as malhas e com outros modais”, afirmou Feitosa.
Segundo ele, compreender a experiência russa em controle de tráfego e regulação pode contribuir para a revisão regulatória em curso na agência, com o objetivo de ampliar sinergia entre concessionárias e elevar o nível de previsibilidade logística.
Visitas técnicas e cursos online
Ao final do encontro, foi definida uma agenda preliminar de trabalho para aprofundar a cooperação. Entre os próximos passos estão visitas técnicas de servidores da ANTT à Rússia, para conhecer o Centro de Controle e as universidades corporativas da RZD, além do desenvolvimento de cursos online voltados à capacitação de técnicos brasileiros.
A troca de informações e experiências, segundo a agência, tem como objetivo acelerar a modernização do setor ferroviário nacional, com foco em tecnologia, qualificação e maior eficiência na operação e regulação das concessões.
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