Produção de caminhões cai mais de 15% em janeiro e expõe início de ano cauteloso na indústria

No comércio exterior, o cenário também contribuiu para conter o ritmo das linhas de montagem. As exportações de veículos pesados seguem pressionadas, em especial pela desaceleração da demanda da Argentina

Aline Feltrin

A produção de caminhões no Brasil alcançou 11,9 mil unidades em julho de 2024, representando um crescimento expressivo de 76,5% em relação ao mesmo mês do ano anterior. Os dados foram divulgados pela Anfavea, a associação que representa os fabricantes de veículos no Brasil.

A produção de caminhões no Brasil recuou de forma significativa no primeiro mês de 2026, refletindo um início de ano ainda marcado por cautela na indústria automotiva pesada. Em janeiro, as montadoras fabricaram 6.786 caminhões, queda de 15,6% na comparação com o mesmo mês de 2025, segundo dados divulgados pela Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), na manhã desta sexta-feira (6).

O desempenho acompanha o movimento de desaceleração observado no segmento de veículos pesados como um todo. Além da produção menor, os emplacamentos de caminhões somaram 6.447 unidades em janeiro, recuo de 31,5% na comparação anual, indicando um ritmo mais lento de renovação de frota no início de 2026.

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Crédito mais restrito permanece

Ainda assim, o recuo da produção de caminhões também reflete fatores estruturais do mercado, como o ambiente de crédito mais restritivo, a taxa básica de juros ainda elevada e a postura mais conservadora de transportadoras e caminhoneiros autônomos em relação a novos investimentos.

No comércio exterior, o cenário também contribuiu para conter o ritmo das linhas de montagem. Em janeiro, as exportações de caminhões totalizaram 9.849 unidades, queda de 34,5% em relação ao mesmo mês de 2025. A retração reflete, sobretudo, a desaceleração da demanda da Argentina, principal destino dos caminhões brasileiros, o que afeta diretamente a programação de produção das fábricas instaladas no país.

Impacto do Move Brasil

Apesar do início de ano fraco, a entidade avalia que há vetores positivos capazes de sustentar uma recuperação gradual ao longo de 2026. Um dos principais é o programa Move Brasil, que começou a ganhar tração em janeiro. Apenas no primeiro mês de operação, o BNDES aprovou R$ 1,3 bilhão em financiamentos para renovação de frota, valor que ainda não se refletiu plenamente na produção, mas deve ter impacto nos próximos meses.

“O resultado de janeiro mostra um setor ainda em fase de acomodação, mas com perspectivas de melhora à medida que os instrumentos de financiamento ganhem escala e o mercado volte a planejar investimentos”, afirmou o presidente da Anfavea, Igor Calvet.

No acumulado da indústria automotiva, a produção total de autoveículos somou 159,6 mil unidades em janeiro, queda de 12% na comparação anual, reforçando que a retração não se limita ao segmento de caminhões, mas reflete um movimento mais amplo de ajuste do setor no início de 2026.

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