Ludymila Mahnic, diretora operacional e comercial do Grupo Mahnic: “Cenário ainda exige cautela e foco total em eficiência operacional”

Executiva avalia o nível de confiança do transportador analisa o ambiente de frete pressionado e os custos operacionais
e projeta um cenário de estabilidade para o setor em 2026

Aline Feltrin

Como você avalia hoje o índice de confiança da sua empresa no cenário atual do transporte rodoviário de cargas?

Ludymila Mahnic – Hoje, o nosso índice de confiança é moderado e cauteloso. Apesar dos desafios do cenário econômico, como o aumento dos custos operacionais, a instabilidade no preço dos combustíveis e as oscilações na demanda, seguimos confiantes na resiliência do transporte rodoviário de cargas, que é essencial para a economia. Temos adotado uma postura focada em eficiência operacional, controle de custos e no fortalecimento do relacionamento com os clientes que já fazem parte da nossa carteira, buscando um crescimento sustentável e moderado mesmo diante das incertezas do mercado.

Quais fatores mais influenciam essa percepção de confiança neste momento?

Ludymila Mahnic – A volatilidade no preço dos combustíveis é um fator central, assim como o aumento dos custos operacionais, especialmente manutenção, pedágios e mão de obra, que está cada vez mais difícil de encontrar. O cenário econômico e o ambiente político também afetam diretamente o planejamento de curto e longo prazo. Além disso, a reforma tributária traz incertezas quanto à carga fiscal, à adaptação dos processos e aos impactos nos custos do transporte, o que exige cautela por parte das empresas do setor.

Olhando para 2026, qual é a sua expectativa para o setor de transporte?

Ludymila Mahnic – Acredito em um cenário de estabilidade. Ainda há queda no volume de cargas e pouca visibilidade para novos investimentos no curto prazo. Do ponto de vista econômico, existem muitas incertezas, o que dificulta projeções mais otimistas. Por isso, mantemos uma postura conservadora, priorizando a sustentabilidade das operações e aguardando maior clareza do ambiente econômico e regulatório antes de avançar em novos investimentos.

Como está a negociação de frete atualmente? Há espaço para recomposição de margens?

Ludymila Mahnic – O ambiente segue bastante pressionado, com pouco ou nenhum espaço para recomposição de margens. Muitos clientes trabalham com processos de BID que já partem de valores previamente definidos, geralmente abaixo do necessário para cobrir os custos operacionais. Existe também uma sazonalidade: no fim do ano, com o aumento da demanda, há maior flexibilidade; no início do ano, os BIDs se intensificam com foco quase exclusivo na redução de preços, pressionando novamente as margens.

De forma geral, como você enxerga o cenário econômico e operacional ao longo deste ano?

Ludymila Mahnic – Apesar da queda atual, existe a expectativa de alguma melhora ao longo do ano, especialmente por ser um ano de eleição e de Copa, fatores que tendem a impulsionar o consumo. O segmento de bebidas, que é um dos principais do Grupo Mahinc, pode se beneficiar desse movimento e trazer algum fôlego ao setor.

Existe apetite para investir em 2026?

Ludymila Mahnic – Ainda não. Neste momento, estamos focados apenas na construção da nova filial de Pirassununga.

A empresa pretende investir em ampliação ou renovação de frota?

Ludymila Mahnic – Ainda é incerto. Precisamos aguardar mais um pouco. Mas, se houver uma melhora no setor e na economia, existe a possibilidade de realizarmos a renovação e ampliação de cerca de 20 a 30 veículos em 2026.

Quais são hoje os principais desafios que impactam diretamente a confiança do transportador?

Ludymila Mahnic – A alta dos custos operacionais, que pode gerar um impacto acumulado de até 3%, segundo dados do DECOPE da NTC&Logística, a pressão constante sobre o valor do frete, a instabilidade econômica e política, a insegurança regulatória com a reforma tributária e a baixa previsibilidade da demanda. Esses fatores reduzem a confiança do transportador e tornam o planejamento cada vez mais complexo.

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