Synerjet aposta em “Seaglider” elétrico para operações logísticas e passageiros

Empresa encomenda 10 unidades da americana Regent e prevê a implantação na América Latina. Modelo Viceroy transporta até 1,6 tonelada e opera com emissão zero; versão inicial leva 12 passageiros e pode atingir 300 km/h

Redação

A Synerjet assinou um acordo com a Regent Craft, empresa americana desenvolvedora das embarcações elétricas Seaglider™, para introduzir a tecnologia na América do Sul e Central. O contrato inclui a encomenda de 10 unidades do modelo Regent Viceroy Seaglider, com alcance estimado de até 300 quilômetros e potencial de aplicação tanto no transporte de passageiros quanto em operações logísticas de carga.

Embora o modelo atualmente em testes tenha sido projetado para transportar 12 passageiros, a Synerjet destaca que a plataforma já apresenta viabilidade para aplicações no transporte de cargas, com capacidade de até 1.600 quilos, operação “cais a cais” e emissão zero. Estudos em andamento buscam ampliar o alcance e a escalabilidade desse tipo de operação para atender demandas logísticas regionais e costeiras.

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Foco nas cargas leves e urgentes

A Synerjet avalia que o Seaglider pode atender um espaço ainda pouco explorado na logística regional: o transporte rápido de cargas em rotas costeiras ou em regiões com infraestrutura limitada, conectando portos, terminais e cidades litorâneas com maior previsibilidade.

A empresa afirma que a capacidade de transportar até 1,6 tonelada — superior ao volume de carga possível em diversas operações com helicópteros — pode viabilizar um novo tipo de solução para cargas urgentes, insumos industriais, reposição de peças e operações em áreas remotas, com menor impacto ambiental.

Desempenho de aeronave com operação marítima

Os Seagliders pertencem à categoria “wing-in-ground” (WIG), que opera em efeito solo, voando sobre uma almofada de ar próxima à superfície da água. O conceito remete a modelos históricos como os ekranoplanos soviéticos, que tiveram aplicação limitada por restrições técnicas como baixa tolerância a ondas, pouca manobrabilidade e desafios de controle e segurança.

Segundo a Regent, o Viceroy Seaglider supera essas limitações ao incorporar hidrofólios e sistemas automatizados de controle da embarcação, aumentando estabilidade e desempenho.

O modelo é equipado com 12 motores elétricos e inicia sua operação navegando na água. Em seguida, acelera e aciona um hidrofólio para ganhar desempenho até a transição para voo em efeito solo, mantendo-se sempre próximo à superfície. Por esse perfil operacional, é certificado como embarcação marítima.

300 km/h e 100 passageiros

O Regent Viceroy Seaglider tem capacidade para 12 passageiros, alcance de até 300 quilômetros e velocidade estimada de até 300 km/h. A REGENT afirma que testa o protótipo do modelo há mais de nove meses e planeja realizar voos ainda em 2026.

A empresa também desenvolve uma versão maior, com capacidade para até 100 passageiros, indicando que a tecnologia poderá avançar para aplicações em rotas mais densas e operações de maior escala.

“Em termos de relevância histórica, o Seaglider tem potencial para reinventar o transporte marítimo da mesma forma que o DC-3 revolucionou a aviação. A dimensão dessa possível revolução e seu impacto tanto no turismo quanto nas conexões ponto a ponto não podem ser subestimados”, afirma Fábio Rebello, CEO da Synerjet.

Rotas costeiras ganham potencial para viagens mais rápidas

Além do uso logístico, a Synerjet destaca que a tecnologia pode transformar deslocamentos regionais de passageiros em rotas marítimas. Um dos exemplos citados é o litoral paulista: segundo a empresa, o trajeto entre Santos e Ilhabela poderia ser feito em cerca de 20 minutos.

A companhia também aponta potencial para rotas ao longo do litoral do Rio de Janeiro, da costa do Chile e em corredores marítimos estratégicos na Colômbia, como Cartagena e Barranquilla, além de conexões internacionais como Buenos Aires–Montevidéu.

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